"O assédio moral nos locais de trabalho é consequência da gestão da empresa, que estimula esse tipo de ação e que faz com que empregados abusem do poder, da sua posição, na organização a fim de buscar os resultados esperados pela atual gestão do banco”. A declaração é do diretor da Região Sudeste da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Dionísio Reis, ao comentar denúncias de assédio moral na Superintendência Executiva de Varejo (SEV) Itaquera, na zona leste da capital paulista.

Assim que tomaram conhecimento do caso, o Sindicato e a Associação do Pessoal da Caixa Econômica Federal de São Paulo (Apcef/SP) cobraram, de imediato, providências da superintendência da rede leste.

Motivada pela pressão das representações dos trabalhadores, a SR instalou processo de apuração das denúncias, por meio de pesquisa institucional, que constatou problemas no clima organizacional da SEV, segundo informações repassadas às entidades representativas. A superintendência não disponibilizou o resultado da avaliação, alegando que o documento é confidencial.

As entidades representativas dos trabalhadores da Caixa também reivindicaram que fosse apurado se o problema está ocorrendo em outras unidades.

“A gestão pelo medo na Caixa está institucionalizada. No RH 184, a direção do banco determina o GDP como uma das razões de descomissionamento, portanto os elementos para o terror institucional estão dados”, ressalva o diretor da Fenae.

Perseguição

Dionísio Reis denuncia ainda que antes da divulgação do resultado da pesquisa, a Caixa através da corregedoria começou a perseguir empregados que denunciaram o assédio por eles terem tornado público o abuso nas redes sociais.

“É um absurdo essa perseguição contra trabalhadores que estão denunciando e cobrando a preservação das condições de trabalho e da saúde dos empregados. O sindicato, a Apcef e a Fenae cobraram prontamente apuração por parte da superintendência e estimulam todos os colegas a denunciarem para as entidades. Tivemos em outras superintendências questões muito parecidas e a atuação das entidades trouxe a pronta resolução desses problemas”, pontua o dirigente.

Em reunião com a superintendência Leste, representantes do Sindicato dos Bancários de São Paulo e da Apcef/SP cobraram o fim do assédio moral e da perseguição aos trabalhadores.

Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, a atual gestão tem estabelecido programas e cobranças por metas que estão adoecendo os empregados. “No auge da pandemia, com o pagamento do auxílio e de outros benefícios sociais operados pelo banco, os empregados se desdobraram para atender a população e ainda tiveram que lidar com a pressão para atingir metas, que não diminuiu nem quando o atendimento social era urgente e gerou filas quilométricas nas agências", analisou Takemoto.