A diretora de Políticas Sociais da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Rachel Weber, representando o presidente Sergio Takemoto, entregou nesta quarta-feira (19), em Brasília (DF), a publicação “A Caixa que o Brasil precisa – 2027/2030” ao coordenador do programa de governo da candidatura de Lula, Sergio Gabrielli. Também participaram da entrega os colaboradores da produção do material, Jair Pedro Ferreira e Dionísio Reis.

O documento, organizado pela Fenae, reúne propostas para fortalecer o caráter público e social da Caixa Econômica Federal e ampliar sua contribuição para o desenvolvimento do país. As reflexões foram produzidas pelos especialistas e articulistas Ladislau Dowbor, Hyolitta Costa de Araújo, Evaniza Rodrigues, Rede BrCidades, Darcy da Silva Costa, Roberta Pontes, Sérgio Amadeu e Luis Nassif.

De acordo com a diretora de Políticas Sociais da Fenae, Rachel Weber, esta publicação é uma contribuição da Fenae para o debate sobre o papel que a Caixa deve desempenhar nos próximos anos, bem como para a construção de um país mais justo e solidário. 

“São diferentes olhares e propostas para reafirmar a importância de um banco público, social e estratégico, que esteja cada vez mais comprometido com o desenvolvimento do país, com a redução das desigualdades e com a garantia de direitos para a população brasileira. Por isso, estamos levando esse documento a interlocutores estratégicos, dentro de um projeto político em que acreditamos”, informa Rachel Weber.

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As contribuições do caderno “A Caixa que o Brasil precisa – 2027/2030” estão organizadas em oito eixos temáticos:

1. Crédito como instrumento de desenvolvimento
A proposta defende que o crédito seja compreendido para além de um produto financeiro, como ferramenta de desenvolvimento econômico e social. O financiamento à produção e ao consumo contribui para movimentar o mercado interno, enquanto a redução das altas taxas de juros é apontada como essencial para estimular investimentos e aliviar o orçamento das famílias.

2. Fortalecimento do FGTS e sua função social
O documento reforça o papel do FGTS como poupança coletiva dos trabalhadores e fonte de financiamento de políticas estruturantes, especialmente nas áreas de habitação e saneamento. A proposta é preservar essa função social e evitar que o fundo seja tratado apenas como recurso de liquidez imediata.

3. Política habitacional ampliada e inclusiva
A habitação deve ser entendida como direito e não apenas como acesso à casa própria. Entre as propostas estão a diversificação das formas de acesso, especialmente a pessoas de baixa renda, à moradia, incluindo crédito, subsídios, locação social e cooperativas; a integração com políticas de saúde, educação, saneamento e mobilidade; o avanço da regularização fundiária e a melhoria de moradias autoproduzidas. O documento também defende a efetivação da reserva de 3% das unidades do Minha Casa, Minha Vida para a população em situação de rua.

4. Inclusão da população em situação de rua
A Caixa é apontada como uma importante porta de entrada para a cidadania. Para isso, são propostas medidas como a desburocratização do acesso a benefícios, a integração entre habitação, renda e trabalho e a capacitação dos empregados para um atendimento não discriminatório.

5. Educação e transformação social
O documento destaca a atuação da Caixa em programas como o Pé-de-Meia e o FIES. Entre as propostas estão a ampliação do Pé-de-Meia para estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do ensino técnico, a melhoria de sua comunicação e interface digital e a reformulação do FIES, com mais subsídios e condições que evitem o endividamento dos estudantes.

6. Soberania e transformação digital
A dependência tecnológica de grandes corporações estrangeiras é apresentada como um risco à soberania nacional. A publicação defende a adoção de políticas de software aberto, código aberto e Inteligência Artificial (IA) aberta, além do desenvolvimento de infraestruturas digitais soberanas.

7. Valorização dos empregados da Caixa
Os empregados são reconhecidos como o principal patrimônio do banco e como responsáveis por transformar políticas públicas em atendimento concreto à população. A proposta é ampliar investimentos em capacitação, garantir condições para um atendimento humanizado e reconhecer a importância estratégica desses trabalhadores.

8. Governança com participação social
Para fortalecer uma Caixa pública e social, o documento propõe mecanismos permanentes de participação e controle social. Entre eles estão a criação de comitês intersetoriais com representantes de movimentos sociais, entidades estudantis e trabalhadores, contribuindo para acompanhar e aprimorar as políticas públicas desenvolvidas pelo banco.