O Setembro Amarelo é um período dedicado à conscientização sobre a prevenção ao suicídio, à promoção da saúde mental e à valorização da vida. No dia 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a mobilização ganha ainda mais força para lembrar que falar sobre o tema, ouvir sem julgamentos e acolher quem está passando por um momento difícil são atitudes fundamentais.


Em depoimento concedido à Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a médica psiquiatra Renata Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília (APBr), reforçou que a campanha desempenha um papel essencial no combate ao estigma. 


“O Setembro Amarelo é um mês de prevenção ao suicídio, é um mês de conscientização. Todo ano nós devemos falar sobre esse tema, prevenir o suicídio, mas nesse período é que a gente dá mais foco. A gente trabalha para quebrar o silêncio, quebrar o estigma e deixar de ser um assunto que é um tabu para passar a ser um tema de saúde pública”, explicou. 


De acordo com a médica psiquiatra, desde o início das campanhas mais ostensivas no Brasil, houve um progresso notável na abertura para o diálogo em diversos ambientes da sociedade. “Houve um avanço importante desde quando começamos a campanha, em 2013, 2014. As pessoas falam mais, falam dentro de casa, falam nas escolas, nas faculdades, nas empresas. E isso é o que nós precisamos: trazer luz sobre esse tema, doenças mentais e transtornos psiquiátricos, para que as pessoas busquem ajuda como fazem nas demais doenças, busquem um tratamento”, ressaltou Renata.


A dimensão do problema é global. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas morram por suicídio a cada ano no mundo. Segundo ela, a esmagadora maioria dessas mortes tem relação direta com condições de saúde mental: “Quase 100% dos casos estão associados a transtornos psiquiátricos. Por isso, a prevenção do suicídio é possível. A forma de prevenir é tratando esses transtornos”.


Apesar do avanço das campanhas de conscientização, a especialista alerta que falar sobre o assunto é apenas o primeiro passo. A verdadeira prevenção acontece quando o diálogo se converte em ação e cuidado efetivo.


“A gente fala que não é só falar sobre o suicídio. Nós devemos observar as pessoas e levar para fazer o tratamento, porque falar só não vai prevenir. O que vai prevenir é o tratamento adequado: uso de medicação, psicoterapia, tudo isso sendo feito com responsabilidade, com acompanhamento e sempre muito próximo de quem está com o sofrimento”, enfatizou Renata Figueiredo.


Identificar os sinais precocemente faz toda a diferença para evitar que o quadro se agrave. “É preciso reconhecer o sofrimento antes que ele se torne insuportável, que a pessoa não veja saída ou tenha uma desesperança tão grande que não enxergue o tratamento como uma opção. É importante conscientizar a pessoa de que é uma doença e merece tratamento, e conscientizar as pessoas próximas para perceberem o adoecimento e auxiliarem nesse encaminhamento”, concluiu a especialista.


Precisa de ajuda ou conhece alguém que precisa?


CVV (Centro de Valorização da Vida): Oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188 (disponível 24 horas por dia) ou pelo site: https://cvv.org.br/.  

Em casos de emergência: Procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, uma UPA, pronto-socorro ou acione o SAMU pelo telefone 192.