A Campanha Nacional dos Bancários 2026 teve uma semana intensa de negociações. Na terça-feira (7), o Comando Nacional dos Bancários participou da segunda rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), responsável pelas cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que valem para toda a categoria. Na quarta-feira (8), representantes dos empregados da Caixa iniciaram as negociações específicas com o banco, que tratam de pautas como Saúde Caixa, condições de trabalho e diversidade.

Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, é fundamental que os empregados acompanhem todas as etapas da campanha.

"A Campanha Nacional é um momento decisivo para a defesa e o fortalecimento da categoria. Por isso, é essencial que os empregados acompanhem as negociações e permaneçam mobilizados. É nesta união que ampliamos as possibilidades de avançarmos na conquista e na preservação de direitos", destacou.

Na véspera da segunda rodada de negociação com a Fenaban, bancárias e bancários realizaram um Dia Nacional de Mobilização em diversas cidades do país em defesa do emprego e contra o fechamento de agências.

A mobilização chamou atenção para os impactos da redução da rede de atendimento e da diminuição do número de empregados sobre trabalhadores, clientes e toda a população que depende dos serviços bancários presenciais.

Segunda rodada de negociação com a Fenaban - Na terça-feira (7), o Comando Nacional dos Bancários voltou à mesa de negociação com a Fenaban para discutir temas relacionados ao emprego e às relações de trabalho.

Durante a reunião, a representação dos trabalhadores apresentou dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que mostram que, entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos eliminaram cerca de 93,3 mil postos de trabalho e reduziram em 42% sua rede física de atendimento, com o fechamento de aproximadamente 9,5 mil agências. Somente no último ano, Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil extinguiram, juntos, 15.331 postos de trabalho. As entidades também destacaram que os cinco maiores bancos do país obtiveram lucro líquido de R$ 124 bilhões em 2025, demonstrando que as demissões não encontram justificativa nos resultados financeiros.

Diante desse cenário, o Comando Nacional reivindicou a suspensão das demissões e do fechamento de agências enquanto durar a Campanha Nacional dos Bancários. Também defendeu o retorno das homologações das rescisões nos sindicatos, medidas para enfrentar a terceirização, estabilidade para mulheres vítimas de violência doméstica, fortalecimento das políticas de qualificação e requalificação profissional, além da criação de um banco de talentos para bancários.

A Fenaban rejeitou o pedido de suspensão das demissões e do fechamento de agências, bem como a proposta de estabilidade durante o período de negociação e de indenização adicional em caso de desligamento. Sobre as demais reivindicações, informou que fará análises e apresentará respostas nas próximas rodadas de negociação.

“Essa resposta não nos paralisará. O Comando Nacional continuará cobrando e acompanhando, em todo o país, os casos de demissões e de fechamentos de agências, para não permitir que continuem acontecendo”, afirmou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT.

Primeira mesa específica da Caixa – Na quarta-feira (8) foi realizada a primeira mesa específica entre a representação dos empregados e a Caixa. Um dos principais temas debatidos foi o Saúde Caixa.

A Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) defendeu o fim do teto de 6,5% da folha de pagamentos para o custeio do plano e a manutenção do modelo de custeio de 70% para a Caixa e 30% para os empregados.

Para o vice-presidente da Fenae e integrante da CEE/Caixa, Cardoso, os dados apresentados pela própria empresa reforçam a necessidade de rever o modelo atual.
"O Saúde Caixa é uma conquista histórica dos empregados e um direito que precisa ser preservado. Na primeira mesa de negociação, reforçamos a necessidade do fim do teto de 6,5% da folha para o custeio do plano e da manutenção do modelo de custeio de 70% para a Caixa e 30% para os empregados”, disse.

Cardoso explicou que dados da Caixa mostram uma projeção de déficit entre R$ 700 milhões e R$ 900 milhões neste ano. Ele defende que o banco precisa apresentar uma proposta que garanta a sustentabilidade do plano sem transferir esse custo para os trabalhadores.

A coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, ressaltou que a apresentação da empresa evidencia a necessidade de eliminar o teto de custeio do banco.

"A própria apresentação da Caixa mostra que as despesas do Saúde Caixa crescem em um ritmo incompatível com uma trava fixa de 6,5% da folha. Quando a participação do banco fica limitada, a diferença acaba recaindo sobre empregados, aposentados e pensionistas. O fim desse teto é fundamental para preservar o Saúde Caixa como um plano solidário, sustentável e acessível para todos", afirma.

Além do Saúde Caixa, a primeira rodada de negociação específica abordou temas relacionados às condições de trabalho, diversidade, inclusão e outras reivindicações dos empregados. A próxima mesa específica entre a representação dos empregados e a Caixa está marcada para o dia 17 de julho. 

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