Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é uma data de reconhecimento da luta contra o racismo, o machismo e as diversas formas de desigualdade que ainda atingem milhões de mulheres. Instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, a data fortalece a mobilização por direitos, representatividade e políticas públicas voltadas à promoção da igualdade.

No Brasil, o dia também é marcado como o Dia Nacional de Teresa de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola que, no século XVIII, comandou o Quilombo do Quariterê, no atual estado do Mato Grosso, tornando-se símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.

A reflexão proposta pela data também dialoga com um dos temas centrais da Campanha Nacional dos Bancários de 2026. A promoção da diversidade, da inclusão e da igualdade de oportunidades integra a pauta de negociações entre o movimento sindical e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), além de também estar em debate na mesa específica de negociação entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e a direção da Caixa.

Durante as negociações com a Fenaban, o movimento sindical apresentou dados organizados pelo Dieese que evidenciam a persistência das desigualdades no setor. As mulheres bancárias recebem, em média, remuneração 18,4% inferior à dos homens. Quando considerado o recorte racial, a desigualdade se aprofunda: as mulheres negras têm remuneração média 34,2% inferior à dos bancários do sexo masculino.

Os dados também mostram que trabalhadores negros recebem, em média, 18,2% menos do que a remuneração média da categoria. Pessoas negras ocupam apenas 25,2% dos cargos de liderança nos bancos, sendo que as mulheres negras representam somente 11,5% dessas posições.

Apesar dos desafios, houve avanços importantes na representatividade da categoria. Enquanto o 1º Censo da Diversidade dos Bancários, realizado em 2008, apontava que negros e negras correspondiam a 19% do quadro de trabalhadores, o levantamento mais recente mostra que esse percentual chegou a 33%, refletindo uma ampliação da presença de profissionais negros no setor.