Luiza Hansen assumiu a coordenação da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) em meio à condução da campanha salarial, um momento estratégico para os empregados do banco. A renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e do acordo específico do Saúde Caixa coloca temas históricos novamente no centro das negociações, com destaque para a defesa do plano de saúde, a retirada do teto de 6,5% da participação da Caixa no custeio, melhores condições de trabalho, prevenção à saúde, valorização dos empregados e cláusulas sociais.

Com quase duas décadas de trajetória na Caixa e ampla atuação no movimento sindical e associativo, Luiza fala, em entrevista à Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), realizada nesta terça-feira (14), sobre os desafios da campanha nacional, explica como foi construída a minuta de reivindicações e reforça a importância da mobilização dos empregados para garantir avanços nas negociações.

Confira a entrevista:

Fenae: Como foi sua trajetória na Caixa e no movimento associativo e sindical?

Luiza Hansen: Entrei na Caixa em 2007 e, em 2009, assumi a função de caixa. Durante esse período, atuei como delegada sindical por vários mandatos e fui conselheira deliberativa da Apcef/SP por duas gestões. Em 2020, passei a integrar a direção do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e também fui diretora executiva da Apcef/SP por dois mandatos. Atualmente, sou dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e secretária de Direitos Bancários da Apcef. Entre funções diversas, no próximo ano completo 20 anos de Caixa, sempre participando das lutas em defesa dos empregados.

Quais serão as principais prioridades da CEE/Caixa nesta campanha nacional?

LH: Sem dúvida, a principal prioridade é o Saúde Caixa. No ano passado, conquistamos um acordo muito importante, com reajuste zero para os usuários e um aporte maior de recursos da Caixa no plano, sem aumentar os custos para empregados ativos e aposentados. Agora temos um novo desafio: negociar tanto o Acordo Coletivo de Trabalho quanto o acordo específico do Saúde Caixa. Por isso, essa será nossa principal pauta durante toda a negociação.

Quais são hoje os maiores desafios em relação ao Saúde Caixa?

LH: O principal desafio é acabar com o teto de 6,5% da participação da Caixa no custeio do plano. Esse limitador restringe a participação do banco no financiamento do Saúde Caixa e coloca em risco sua sustentabilidade no futuro. Retirar esse teto é uma prioridade da campanha porque é fundamental para garantir a continuidade e a qualidade do plano de saúde para todos os usuários. Também precisamos considerar outros fatores que pressionam os custos, como a inflação médica e o aumento da idade média dos usuários. A categoria está envelhecendo e não há contratação de novos empregados em número suficiente para renovar essa base, o que impacta diretamente o equilíbrio do Saúde Caixa.

Como será conduzida a negociação do Saúde Caixa durante a campanha?

LH: Ainda não existe uma mesa exclusiva marcada para discutir o Saúde Caixa, mas ele estará presente em todas as rodadas de negociação. Nas primeiras reuniões, já tratamos do plano juntamente com outros temas, e isso deve continuar acontecendo. Mais à frente, é possível que tenhamos reuniões com foco maior nas propostas específicas do Saúde Caixa, mas o importante é que esse tema fará parte de todas as negociações.

Além do Saúde Caixa, quais outros temas terão destaque nas mesas de negociação?

LH: O Saúde Caixa é nossa prioridade absoluta, mas também vamos discutir condições de trabalho, combate à sobrecarga, adoecimento dos empregados, diversidade, valorização dos trabalhadores e a abertura de um debate sobre remuneração variável. Também entendemos que a contratação de novos empregados é um tema importante, inclusive porque influencia diretamente a sustentabilidade do Saúde Caixa.

Qual a importância da participação dos empregados durante a campanha?

LH: É fundamental que todos os empregados acompanhem as negociações, busquem informações pelos canais das entidades representativas, como Contraf-CUT e Fenae, conversem com os colegas e participem das atividades organizadas pelos sindicatos. A mobilização da categoria será decisiva para avançarmos tanto na defesa do Saúde Caixa quanto nas demais reivindicações da campanha. Quanto maior a participação dos empregados, maior será nossa força na mesa de negociação.

Como foi elaborada a minuta de reivindicações entregue à Caixa?

LH: Nossa minuta específica de reivindicações foi entregue à Caixa no fim de junho [no dia 24] e representa uma construção coletiva. As propostas foram elaboradas a partir das contribuições das federações de todo o país, debatidas pelos delegados e aprovadas durante o 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef). Ou seja, não é um documento construído por uma pessoa ou por uma única entidade, mas resultado da participação de representantes de todo o Brasil. Chegamos a uma minuta robusta, construída por diversas frentes do movimento dos empregados, que reúne as principais demandas da categoria. Agora, para transformar essas reivindicações em conquistas concretas, precisamos do apoio e da mobilização da base. É essa participação dos empregados que fortalece quem está na mesa de negociação e aumenta nossas chances de construir uma campanha salarial vitoriosa.

Como será o andamento das negociações nas próximas semanas?

LH: O atual Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) têm vigência até 31 de agosto. Desde a reforma trabalhista de 2017 deixou de existir a ultratividade, que garantia a continuidade dos acordos até a assinatura de um novo. Hoje, se chegar em 1º de setembro sem um novo ACT e uma nova CCT assinados, os direitos previstos nesses instrumentos deixam de estar garantidos. Por isso, as negociações começam cada vez mais cedo. Esse cenário aumenta a responsabilidade das mesas de negociação e reforça a necessidade de mobilização da categoria ao longo de toda a campanha.

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