Depois de um dia histórico de mobilização dos bancários em todo o país, a Fenae alerta que não vai aceitar retaliações contra empregados da Caixa que participaram da paralisação desta quinta-feira (20), independentemente do cargo ou da função que ocupam.

A preocupação ganhou força após as declarações do presidente da Caixa, Carlos Vieira, em vídeo dirigido a gestores e lideranças do banco. Vieira questionou o que chamou de “convocações contra a organização” e sugeriu que quem optasse por estar “do lado de lá” deveria deixar de ser líder da empresa.

A Fenae repudiou a fala ainda na quinta-feira e agora reforça que estará atenta a qualquer tentativa de transformar a participação na paralisação em motivo para qualquer tipo de retaliação, pressão, constrangimento ou prejuízo na carreira.

Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, o cargo ou a função exercida dentro da Caixa não retiram de ninguém o direito de se organizar, participar das decisões da categoria e lutar pela manutenção de direitos.

“A paralisação mostrou uma categoria unida, consciente dos seus direitos e disposta a lutar por eles. Isso vale para todos os empregados da Caixa, em qualquer cargo ou função. Ninguém pode ter sua carreira prejudicada por ter participado desse movimento. A Fenae e as Apcefs estarão ao lado dos trabalhadores e vamos acompanhar qualquer denúncia de intimidação ou retaliação”, afirmou Takemoto.

A diretora de Políticas Sociais da Fenae, Rachel Weber, avalia que a dimensão alcançada pela paralisação faz com que o dia 20 de agosto passe a ocupar um lugar importante na história de mobilização dos empregados da Caixa.

“Foi uma mobilização que vai entrar para a história da Caixa. Muitos empregados mais jovens nunca tinham vivido um movimento dessa dimensão e puderam perceber, na prática, que conquistas e direitos se garantem com participação, organização e luta. E isso vale para todos, sem diferença de cargo ou função”, disse. “Mobilizar-se, reivindicar e defender direitos também é exercer a democracia. Agora, a Fenae vai acompanhar todas as denúncias de retaliação que chegarem até nós. Ninguém pode ser prejudicado por ter participado dessa luta”, afirmou Rachel.

Liderar a Caixa é defender os empregados 

Empregada aposentada da Caixa, a deputada federal Erika Kokay também reagiu às declarações de Carlos Vieira e saiu em defesa dos trabalhadores, inclusive daqueles que ocupam funções de liderança.

“Líderes são aqueles que defendem os direitos do patrimônio desta empresa, que são os seus empregados e empregadas. Liderar a empresa é defender que a Caixa seja o melhor lugar para se trabalhar”, afirmou.

Erika, que participou da construção da primeira greve da história da Caixa, também rebateu a ideia de que a mobilização dos trabalhadores seja incompatível com o compromisso com a empresa.

“Não podemos permitir que tenhamos ameaças a quem lidera a empresa. Porque liderar a empresa, senhor Carlos Vieira, é defender os direitos dos empregados e empregadas. Abrace os líderes que abraçam os empregados e empregadas da Caixa, porque assim o senhor abraça a Caixa”, declarou.

Fenae acompanhará denúncias 

Empregados que identifiquem perda de função, pressão, constrangimento ou qualquer outra situação que possa estar relacionada à participação na paralisação podem procurar o sindicato ou a Apcef de seu estado.