A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) se reuniu, nesta terça-feira (28), com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, para tratar das dificuldades enfrentadas pelos clientes na contratação do Move Brasil e do Reforma Casa Brasil. 

A Federação apresentou relatos sobre elevados índices de reprovação, limites de crédito insuficientes e obstáculos para a comprovação da renda informal. Durante o encontro, Boulos reconheceu os entraves que marcaram o início do Move Brasil e afirmou que a Secretaria-Geral acompanha a execução do programa em tempo real, por meio de uma força-tarefa criada para receber e analisar os casos de motoristas que não conseguiram contratar o financiamento.

“Os clientes ficam frustrados porque são considerados aptos para participar do programa, mas, quando chegam ao banco, o financiamento é recusado ou o valor aprovado não permite comprar o veículo”, destacou o presidente da Fenae, Sergio Takemoto.

Preocupado com a efetividade do programa para quem mais precisa, Boulos sugeriu a criação de um fluxo direto com a Fenae para o encaminhamento dos casos identificados pelos empregados da Caixa. A proposta é que a Federação reúna demandas recebidas e encaminhe à equipe da Secretaria-Geral que já mantém interlocução com as áreas responsáveis do banco, permitindo a análise dos problemas e a busca de soluções para as operações.

Caixa realizou 3,4 mil operações

Boulos informou que a Caixa havia realizado cerca de 3,4 mil financiamentos do Move Brasil até a quinta-feira anterior à reunião. O resultado ainda está abaixo do necessário para que o programa alcance a dimensão prevista. Segundo o ministro, aproximadamente 17 mil operações haviam sido realizadas por todas as instituições financeiras, o equivalente a cerca de 5,5% da meta de financiamentos.

Caixa e Banco do Brasil concentravam 57% das operações. A participação dos bancos privados está reduzida.

Garantia será ampliada nos bancos públicos

Uma das medidas anunciadas durante a reunião foi a ampliação do limite de cobertura de perdas do FGI de 30% para 50% nas operações da Caixa e do Banco do Brasil.

Segundo Boulos, a mudança permitirá que os dois bancos públicos tenham maior flexibilidade na concessão do crédito e assumam uma margem de risco mais elevada, o que pode aumentar as aprovações de trabalhadores com renda informal ou pontuação de crédito mais baixa.

A ampliação da garantia não elimina, entretanto, a avaliação da capacidade de pagamento. Os bancos continuam sujeitos às regras de concessão e devem considerar o comprometimento da renda do cliente com outros financiamentos e despesas.

Boulos informou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está atento aos problemas do programa. “Estamos com a mesma preocupação. O presidente está tratando esse problema como prioridade e isso nos dá condições para buscar as mudanças necessárias”, afirmou Boulos.

Reforma Casa Brasil enfrenta problemas semelhantes

A Fenae também apresentou relatos de dificuldades no Reforma Casa Brasil, linha de crédito para financiar reformas habitacionais. O programa enfrentou obstáculos semelhantes aos observados no Move Brasil. 

Presente na reunião, o diretor de Administração e Finanças da Fenae, Marcos Saraiva, ressaltou que o Move Brasil e o Reforma Casa Brasil são políticas fundamentais para melhorar as condições de trabalho, renda e moradia da população. “A Caixa precisa encontrar mecanismos que garantam segurança na concessão do crédito, mas que também reconheçam a realidade dos trabalhadores informais. Caso contrário, os programas não chegarão a quem mais precisa”, afirmou.

Canal da Fenae no WhatsApp

Participe do canal oficial da Fenae no WhatsApp e fique por dentro de todas as informações da Fenae e de interesse dos empregados da Caixa. Acesse: https://link.fenae.org.br/canalfenae