A transformação social por meio da educação, do acolhimento e da geração de oportunidades marcou a visita de representantes da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e da Associação do Pessoal da Caixa do Rio de Janeiro (Apcef/RJ) às instalações do projeto “Educação em rede: tecendo o futuro”, nesta quarta-feira (4), na comunidade de Rio das Pedras, no Rio de Janeiro (RJ). A iniciativa é desenvolvida pela Fenae e Apcef/RJ, em parceria com a ONG Moradia e Cidadania.
A visita ocorreu durante a realização dos Jogos da Fenae 2026, que reúne no Rio de Janeiro empregados da Caixa de todo o país. Participaram o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, o vice-presidente Cardoso e os diretores Leonardo Quadros, Rachel Weber, Rita Lima, Giselle Menezes, Paulo Roberto da Costa, Vera Leão, Maria Adelaide dos Santos, Lourdes Barboza e Marco Antônio Zanardi, e a presidenta da Apcef/AM, Rosalba Loureiro.
O projeto desenvolve atividades de reforço escolar e informática para crianças e adolescentes, além de oficinas de artesanato e capacitação para mulheres da comunidade. A proposta é ampliar o acesso à educação, fortalecer a autoestima dos participantes e contribuir para a inclusão social e a autonomia financeira das famílias.
Durante a visita, o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, destacou a importância de conhecer de perto a realidade das comunidades e acompanhar os resultados das iniciativas apoiadas pela entidade.
Quando a gente vem a um local onde realmente vê a transformação social acontecer, percebe que ela é possível e necessária. É muito gratificante e emocionante, porque é uma realidade com a qual nem sempre convivemos no dia a dia, mas sabemos que existe e que precisamos ajudar a mudar
Sergio TakemotoPresidente da Fenae
Takemoto também ressaltou o papel da educação e da autoestima no desenvolvimento das crianças. “A educação transforma a vida das pessoas, mas é fundamental que as famílias tenham condições de manter as crianças na escola. Precisamos pensar não somente na educação e na autoestima, mas também na sobrevivência dessas famílias. Os programas sociais são fundamentais para que as pessoas tenham acesso à educação de qualidade e a uma vida melhor”, acrescentou.

Emocionado, o presidente da Apcef/RJ, Paulo Matileti, falou sobre a importância do projeto de uma comunidade marcada por desafios sociais. Ele lembrou o envolvimento da associação desde o início da iniciativa e a dedicação das pessoas que ajudaram a estruturar o trabalho. “A gente sabe da importância de um projeto como esse, principalmente em uma comunidade como Rio das Pedras. Quando as crianças chegam aqui, recebem carinho, atenção e oportunidades. Isso ajuda a amenizar o sofrimento de muitas delas. É uma iniciativa que precisamos fortalecer, porque temos que oferecer às crianças oportunidades diferentes das que muitas vezes encontram nas ruas”, destacou. “Fico emocionado ao falar porque sabemos o quanto esse trabalho é importante”, completou.
As diretoras da Fenae Giselle Menezes e Lourdes Barboza também destacaram a importância da parceria e dos resultados alcançados. Giselle ressaltou que é uma alegria conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela Fenae, pelas Apcefs e pela ONG Moradia e Cidadania, que oferece oportunidades e transforma a vida de crianças, jovens e mulheres da comunidade. Lourdes lembrou que o apoio da Fenae foi fundamental para o nascimento e o crescimento da iniciativa no Rio de Janeiro e manifestou o desejo de que a parceria continue no próximo edital. “É muito significativo para nós ver o resultado do trabalho que está sendo feito”, disse Giselle. “Queremos continuar juntos nessa nova proposta, com a Moradia e Cidadania e a Apcef/RJ, de mãos dadas e trabalhando pelo bem das comunidades”, afirmou Lourdes.

A representante da ONG Moradia e Cidadania no Rio de Janeiro Beth Moraes apresentou as diferentes frentes de atuação da iniciativa. Segundo ela, além do reforço escolar, o projeto oferece informática para mulheres, com o objetivo de ampliar as possibilidades de inserção no mercado de trabalho, e oficinas de artesanato voltadas especialmente às mães e avós que cuidam das crianças. As atividades buscam fortalecer a autoestima, desenvolver habilidades e contribuir para a complementação da renda familiar.
A professora Larissa Castro explicou que o reforço escolar trabalha não apenas os conteúdos de leitura, escrita e matemática básica, mas também a confiança das crianças. “Muitas chegam com dificuldades de aprendizagem e receio de participar das atividades escolares. A ideia é trabalhar a autoestima dessas crianças. Elas chegam aqui com muito medo, às vezes com dificuldades de acompanhar as turmas e até de participar de uma brincadeira ou de ler uma cartinha. Meu objetivo é ajudá-las a superar essas barreiras e aprender”, explicou. Larissa destacou ainda a utilização de computadores, projetores, atividades coletivas e produção de livros próprios como ferramentas para tornar as aulas mais estimulantes.

O trabalho também tem reflexos na vida das famílias. Fábio Moura, pai de duas alunas atendidas pelo projeto, Valentina e Isabela, contou que percebeu melhorias no desempenho escolar e no comportamento das filhas. “Elas estão tendo um bom desempenho no colégio, tirando notas altas por causa do que aprenderam aqui. Também estão mais soltas, fazendo amizades e se abrindo mais com as pessoas. É muito importante tirar as crianças das ruas e oferecer um espaço onde possam aprender, estudar e construir um futuro melhor”, relatou.
As próprias alunas demonstraram entusiasmo com as atividades. Valentina, de 11 anos, contou que não sabia utilizar o computador antes de participar das aulas e que agora já consegue realizar diferentes tarefas, inclusive abrir o Excel. Isabela, de 10 anos, também destacou o aprendizado e a experiência positiva de participar das atividades de informática e reforço escolar.
Artesanato e geração de renda para mulheres
Outra frente importante do projeto é o trabalho desenvolvido com as mulheres da comunidade, que encontram nas oficinas de artesanato um espaço de aprendizado, convivência e valorização pessoal. As atividades acontecem de terça a sexta-feira, das 9h às 11h, e reúnem cerca de 30 participantes.
A iniciativa é coordenada por Maria do Céu, que acompanha o desenvolvimento das mulheres e incentiva a descoberta de novas habilidades. Nas oficinas, são produzidas canetas decoradas com flores de E.V.A., bolsas de crochê e de jeans reciclado, arranjos de flores, cadernos decorados, além de sabonetes, velas e peças de pintura em tecido, também são ensinadas técnicas de costura. Os produtos confeccionados são comercializados pelas participantes, contribuindo para aumentar a renda familiar.

Maria do Céu contou que muitas mulheres chegam às oficinas desmotivadas e sem acreditar na própria capacidade, mas, com o tempo, descobrem talentos e passam a produzir peças que surpreendem até elas mesmas. “Tem mulheres que chegam sem saber colocar uma linha na agulha, achando que não servem para nada. Daqui a pouco, começam a fazer coisas belíssimas. É muito gratificante ver essas mulheres florescendo e perceber o resultado do trabalho”, afirmou.
A experiência também transforma a trajetória de quem começou como aluna e hoje atua como professora. Rosangela Sant’Ana e Miriam Silva são exemplos dessa evolução. Rosangela contou que conheceu a iniciativa quando procurava uma atividade para ocupar o tempo e, após duas semanas de aprendizado, foi convidada a ajudar nas aulas. Miriam, por sua vez, encontrou nas oficinas um espaço de acolhimento após perder o marido e enfrentar um período de depressão. Hoje, também compartilha os conhecimentos adquiridos com outras mulheres.