“Para nós, os sonhos não envelhecem.” A frase da diretora de Assuntos de Aposentados e Pensionistas, Rita Lima, na abertura da terceira edição do Meu Ideal, em Florianópolis, deu o tom de um dia inteiro dedicado a olhar para o envelhecimento como uma nova etapa da vida, com autonomia, vínculos, participação, novos projetos e muitos sonhos pela frente.

Realizado na sexta-feira (7), na Apcef/SC, o encontro reuniu aposentados e pensionistas da Caixa para discutir longevidade, saúde mental, etarismo, autonomia financeira e direitos. 

“O Meu Ideal foi feito a partir de uma compreensão de que o investimento que a gente faz em nós mesmos é fundamental, é o bem mais valioso. Que a gente invista em saúde, em conhecimento, em autoconhecimento, em bem-estar e, sobretudo, na preservação das nossas relações com os nossos entes queridos”, afirmou Rita.

O diretor de Administração e Finanças da Fenae, Marcos Saraiva, o Marcão, justificou a ausência do presidente da Fenae, Sergio Takemoto, que precisou seguir para São Paulo para acompanhar as tratativas relacionadas às negociações da Campanha Nacional dos Bancários. Marcão destacou que a aposentadoria não rompe os vínculos construídos ao longo da trajetória profissional. 

“A gente sai da Caixa, mas o sangue da Caixa continua com a gente. A previdência da Funcef continua com a gente, o Saúde Caixa também. E é obrigação lutar pelo que é nosso, manter nossos direitos”, destacou.

O presidente da Apcef/SC, Marcelo Boeing, anfitrião do encontro, ressaltou a importância de Santa Catarina receber a terceira edição do projeto. “É uma alegria e um orgulho receber o Meu Ideal aqui em Santa Catarina. Essa parceria da Apcef com a Fenae é muito importante para realizar um evento como este para os nossos aposentados”, afirmou.

Mais anos de vida

Referência internacional nos estudos sobre longevidade, o médico gerontólogo Alexandre Kalache chamou a atenção para o aumento da expectativa de vida como uma revolução. “Nós estamos vivendo uma revolução. Isso nunca aconteceu antes na história. É algo que nos convoca a nos preparar para 32 anos a mais de vida. Não são 32 anos de velhice. Essa diferença é muito importante”, destacou.

Mas viver mais, ressaltou, exige preparação ao longo de toda a trajetória. “Quer chegar bem aos 100? Comece já”, provocou. 

O psicólogo Francisco Erismar ampliou a conversa para a autonomia e os direitos das pessoas idosas. Ao falar sobre etarismo, mostrou que a discriminação também aparece em situações corriqueiras, quando a pessoa idosa deixa de ser ouvida nas escolhas sobre a própria vida. 

“Onde a pessoa idosa não tem a liberdade de dar a opinião nem dentro de casa, imagina na rua. Se você não respeitar a vontade do outro, você está inibindo essa pessoa inclusive de dar uma opinião. Isso é uma forma de etarismo”, explicou. Para ele, preservar autonomia significa respeitar vontades, opiniões e decisões, além de garantir condições para que as pessoas continuem participando da sociedade.

Meu Ideal ES: Os nossos sonhos não envelhecem (07/08/2026)

Saúde mental, amigos e novos começos

A neurologista Ana Paula Peña abordou depressão, memória, sono e isolamento social, mas fez da palestra também um convite para que os participantes retomem interesses, aprendam algo novo e cultivem relações. “O nosso objetivo não é só viver mais, mas viver com autonomia, memória e saúde mental”, destacou.

Ana Paula incentivou os participantes a lembrar de atividades que um dia trouxeram prazer e ficaram pelo caminho. “Pensem no que vocês faziam quando eram jovens e que deixaram de fazer, mas que é algo que toca no coração de vocês”, sugeriu. E destacou a importância das amizades, retomada de vínculos e a construção de novas conexões. “Amigos! Tenham amigos. Os amigos nos salvam”, afirmou. 

Autonomia também passa pelo futuro

O presidente da Funcef, Ricardo Pontes, levou o debate sobre longevidade para a previdência e a autonomia financeira. Para ele, o aumento da expectativa de vida reforça a importância de incluir a aposentadoria no planejamento desde cedo. “O nosso futuro começa hoje. A nossa aposentadoria começa hoje”, afirmou.

Pontes apresentou informações sobre a Fundação e falou das estratégias adotadas para garantir o pagamento dos benefícios no longo prazo, reduzir riscos e dar mais segurança aos participantes e assistidos.

Negociações

 O diretor de Saúde e Previdência da Fenae, Leonardo Quadros, atualizou os participantes sobre o andamento das negociações para a assinatura do novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), além do específico sobre Saúde Caixa.  Ele defendeu a preservação dos princípios de solidariedade, mutualismo e pacto intergeracional. Ele também reforçou a importância da participação de aposentados e empregados da ativa nas mobilizações em defesa do plano.

A programação também abriu espaço para o Movimento Solidário, com apresentação do projeto Educar para a Paz. (Leia aqui)

“Continuam nos chamando para a vida”

No encerramento, Rita Lima falou sobre o sentido de todo o encontro. “Envelhecer não é desaparecer. É diminuir o barulho externo para escutar melhor o essencial. Os anos podem transformar nossos caminhos, nossos corpos e nossas prioridades, mas não precisam diminuir nossos desejos, nossa voz e nossa capacidade de realizar. Porque os sonhos não envelhecem jamais. Eles amadurecem conosco, ganham novas formas e continuam nos chamando para a vida”, disse Rita ao fechar o encontro.

 

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