Garantir o acesso à alimentação adequada vai além de combater a fome: significa também promover dignidade, inclusão social e oportunidades. Neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, o Movimento Solidário da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e das Apcefs destaca o papel dos projetos sociais no enfrentamento da insegurança alimentar e na construção de condições de vida mais dignas para famílias em situação de vulnerabilidade.

Por meio de editais da Fenae e das Apcefs, em parceria com a ONG Moradia e Cidadania, ações sociais desenvolvidas em nove estados brasileiros incentivam a inclusão produtiva, a geração de renda e o fortalecimento da autonomia de mulheres e meninas. Ao todo, os projetos atendem diretamente 849 pessoas e beneficiam outras 2.753 de forma indireta, segundo as entidades.

As ações estão presentes em Alagoas, com o projeto “Mãos que Transformam”; no Amapá, com Criativa Girassol; no Ceará, com Mulheres Aqui!; na Bahia, com Empreendaê; em Goiás, com Mulheres em Ação; em Mato Grosso, com Costurando com Arte; no Rio Grande do Norte, com Sementes Urbanas; no Rio Grande do Sul, com Espaço Cultural Marlon e Marcelinho; e no Tocantins, com Livres para Criar.

As iniciativas ganham relevância diante dos desafios ainda existentes no país. Embora o Brasil tenha voltado a sair do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a insegurança alimentar continua sendo uma realidade para milhares de famílias. O enfrentamento desse problema exige a continuidade de políticas públicas e a participação da sociedade civil, com ações que ampliem o acesso a direitos e criem oportunidades para a superação da vulnerabilidade social.

O Brasil havia deixado o Mapa da Fome em 2014, após avanços associados a políticas de proteção social, como o Bolsa Família, e ao incentivo à agricultura familiar. Em 2021, porém, voltou a figurar na lista, em um contexto de agravamento das dificuldades políticas, econômicas e dos impactos da pandemia de Covid-19.

“Apesar de o Brasil ter saído desse trágico mapa, milhares de pessoas ainda passam fome no país. Erradicar esse problema deve ser um compromisso de toda a sociedade. A atuação conjunta, com políticas públicas e iniciativas da sociedade civil, mostra que estamos no caminho certo, trabalhando em diferentes frentes para transformar a realidade de muitas famílias”, destaca Sergio Takemoto, presidente da Fenae.

Ações Fenae/Apcef

Entre as iniciativas apoiadas estão projetos desenvolvidos no Rio Grande do Norte e em Alagoas, estados que, por décadas, conviveram com os efeitos da fome e da desigualdade social.

Em Mossoró (RN), o projeto “Sementes Urbanas” é realizado na Associação de Mulheres Trabalhadoras de Mossoró, a Coletiva Motim Feminista, no bairro Pintos. A iniciativa transforma o quintal da sede em uma área produtiva, com canteiros, estufas e pomares, envolvendo 21 mulheres. Além do cultivo de alimentos, o projeto promove oficinas sobre saúde da mulher e combate à fome.

Já em Maceió (AL), o projeto “Mãos que Transformam” é mantido pela Fenae e pela Apcef/AL, em parceria com a coordenação estadual da ONG Moradia e Cidadania e o Instituto Amigos da Sopa.

O projeto busca ampliar a geração de renda, promover a inclusão social e fortalecer a autonomia financeira de mulheres da capital alagoana. As capacitações em panificação e produção de alimentos artesanais são realizadas em turmas de até 20 mulheres por turno, pela manhã e à tarde, e atendem moradoras de áreas periféricas.