“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” Com a frase do educador e filósofo Paulo Freire, a coordenadora estadual do Programa Paul Singer no Maranhão, Maria Santana Lago Freire, resumiu a essência do trabalho desenvolvido por ela em mais um encontro do ciclo de palestras promovido pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae). O encontro online realizado na tarde da terça-feira (06), que abordou o tema da inclusão produtiva, reuniu coordenadores estaduais da ONG Moradia e Cidadania, presidentes das Apcefs e parceiros dos projetos nos estados.

Ao abrir a oficina, a diretora de Impacto Social da Fenae, Giselle Menezes, destacou a importância dos projetos de Inclusão Produtiva e o papel fundamental da participação dos presidentes das Apcefs, das coordenações da Moradia e dos parceiros envolvidos para o desenvolvimento dos projetos sociais.’’

Para Giselle, esses encontros são importantes não apenas para compartilhar experiências e conhecimentos, mas também para fortalecer o diálogo, trocar ideias e construir, de forma conjunta, caminhos que contribuam para o desenvolvimento e o aprimoramento dos projetos. “A inclusão produtiva representa uma importante oportunidade de transformação, pois contribui para ampliar o acesso ao trabalho, à geração de renda e à autonomia, fortalecendo pessoas e comunidades. Por isso, espaços de diálogo e aprendizado como este são fundamentais para que as iniciativas possam crescer, alcançar mais pessoas e gerar impactos cada vez mais positivos”, reforçou a diretora.

O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, destacou a importância da parceria com os projetos de economia solidária e reforçou o compromisso da Federação em ampliar esse trabalho. Ao lembrar a trajetória de iniciativas voltadas ao fortalecimento das cooperativas e à redução das desigualdades, ele defendeu a continuidade dessa caminhada em busca de um país mais justo e solidário.

“A economia solidária é um grande caminho para a erradicação da pobreza. Não podemos e não queremos retroceder nessa caminhada. Vamos continuar juntos, trabalhando por um país mais justo, menos desigual e mais solidário”, reforçou Takemoto.

A vice-presidente da ONG Moradia e Cidadania, Selda Cabral, ressaltou a importância da parceria com a Fenae e as Apcefs para fortalecer a atuação dos projetos nos territórios. Ela também destacou o papel das associações locais na construção de ações que promovem inclusão, capacitação e novas oportunidades para pessoas em situação de vulnerabilidade.

“É muito importante saber que a Fenae e as Apcefs também têm esse lado solidário. Estamos muito satisfeitos com essa parceria e queremos continuar caminhando juntos, de mãos dadas, para transformar solidariedade em oportunidade, cidadania e esperança. Que no próximo ano possamos construir ainda mais juntos e transformar a vida de muitas pessoas que realmente precisam”, reforçou Selda.

A diretora da Fenae, Lourdes Barboza, destacou a importância dos espaços de diálogo para fortalecer os projetos sociais desenvolvidos em todo o país. Segundo ela, a troca de experiências entre pessoas e organizações permite o crescimento conjunto e amplia o impacto das iniciativas.

“Um projeto social ou uma organização não consegue fazer uma inclusão positiva sozinho. A gente fala o tempo todo em conexão, e esses espaços de diálogo são fundamentais para que possamos crescer e nos desenvolver juntos. É essa troca entre pessoas de todo o país que fortalece os projetos e amplia seus resultados”, afirmou Lourdes.

Inclusão produtiva

Durante a palestra, Maria Santana Lago Freire explicou que falar em inclusão significa reconhecer a existência da exclusão e dos obstáculos que ainda impedem muitas pessoas de acessar trabalho, renda e oportunidades. Ela destacou que a inclusão produtiva vai além da geração de renda: envolve autonomia, cidadania e participação social, garantindo condições para que pessoas em situação de vulnerabilidade possam viver com dignidade.

A palestrante chamou atenção para desafios como a desigualdade de oportunidades, a baixa qualificação profissional, a informalidade e o acesso limitado ao crédito, à tecnologia, ao mercado e às políticas públicas. Segundo ela, essas barreiras atingem especialmente mulheres, famílias em situação de vulnerabilidade e pessoas que vivem em regiões periféricas ou com menor acesso à informação e à formação.

“Mais do que gerar renda, a inclusão produtiva é ampliar oportunidades, fortalecer capacidades e promover autonomia. A cidadania precisa vir acompanhada de direitos e de condições para que as pessoas possam participar da sociedade e conquistar sua dignidade”, afirmou Maria.

Maria também apresentou a economia solidária como uma importante estratégia de inclusão produtiva. A partir de sua experiência de 17 anos acompanhando grupos e empreendimentos no Maranhão e em outras regiões do país, destacou iniciativas formadas principalmente por mulheres, que atuam em áreas como artesanato e agricultura familiar. Para ela, o fortalecimento desses grupos, aliado à qualificação e à ampliação do acesso a oportunidades, contribui para promover autonomia, cidadania e sustentabilidade para as famílias.

“Sabemos que os desafios estão muito presentes: a desigualdade de oportunidades, a baixa qualificação e a informalidade. O acesso ao crédito, à tecnologia e ao mercado ainda é limitado, principalmente para as mulheres em situação de vulnerabilidade. Por isso, precisamos fortalecer a autonomia e a participação social”, reforçou Maria.

Experiência de Minas Gerais

Flávia Carvalho, da coordenação de Minas Gerais da ONG Moradia e Cidadania, apresentou a experiência do estado com a economia popular solidária e o trabalho desenvolvido junto a mulheres em situação de vulnerabilidade. Com mais de duas décadas de atuação, a coordenação utiliza projetos e parcerias para fortalecer iniciativas de geração de renda e autonomia.

Flávia destacou que a economia solidária vai além do combate à pobreza, ao propor uma forma de organização baseada na autogestão, na cooperação e na solidariedade. Nesse contexto, o projeto “Mulheres fortalecendo o território na perspectiva de gênero, enfrentamento à violência e empoderamento” busca ampliar oportunidades e fortalecer o protagonismo feminino.

Para ela, apoiar essas iniciativas também é uma forma de contribuir para a transformação social e para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

“Uma vez que acreditamos na economia solidária como fator de mudança na vida das pessoas, é nossa obrigação buscar recursos e desenvolver projetos voltados para essa economia. E, quando olhamos para esses empreendimentos, vemos majoritariamente mulheres, mães que sustentam suas famílias e encontram nesse trabalho um caminho para a autonomia”, reforçou Flávia.

Futuro Brilhar 

Para fortalecer os projetos sociais apoiados pela Fenae e Apcefs, em parceria com a ONG Moradia e Cidadania, e ampliar o engajamento de empregados da Caixa, aposentados, pensionistas e da sociedade civil em geral, acesse o site Futuro Brilhar: https://futurobrilhar.fenae.org.br/. Na plataforma, os doadores encontram informações sobre a campanha “Fenae com Elas”, os projetos em andamento e notícias relacionadas.