A Caixa registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,368 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025. No segundo trimestre, porém, o resultado chegou a R$ 3,899 bilhões, alta de 12,4% frente aos três primeiros meses do ano e de 5,9% na comparação com o segundo trimestre do ano passado.

Segundo análise do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução do lucro no semestre foi pressionada principalmente pelo aumento das provisões para perdas de crédito. As despesas com Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa (PCLD) chegaram a R$ 13,484 bilhões, crescimento de 140% em relação ao primeiro semestre de 2025.

Por outro lado, importantes indicadores avançaram. A margem financeira alcançou R$ 37,944 bilhões, alta de 16%, enquanto as receitas de prestação de serviços e tarifas cresceram 12,7%. A carteira de crédito chegou a R$ 1,448 trilhão, aumento de 11,9% em 12 meses.

Menos estrutura, mais clientes - Outro destaque da análise do Dieese é o enxugamento da rede de atendimento. Em junho de 2026, a Caixa contava com 24.568 pontos de atendimento, uma redução de 794 unidades em relação a junho de 2025. A redução ocorreu em todos os principais segmentos da rede: 253 agências, 132 postos de atendimento, 265 correspondentes Caixa Aqui e 148 lotéricos foram fechados no período. 

Também foram reduzidas em 3.344 unidades as máquinas de autoatendimento. O movimento ocorre ao mesmo tempo em que a Caixa ampliou sua base de clientes para 160,4 milhões, crescimento de 4,2 milhões em 12 meses.

Para a Fenae, os números mostram que os empregados atendem uma estrutura cada vez maior de clientes e operações com uma rede de atendimento menor, o que aumenta a preocupação com sobrecarga e condições de trabalho.

“Não dá para ampliar a base de clientes, reduzir a estrutura e simplesmente exigir mais de quem está na ponta. A Caixa precisa valorizar seus empregados e garantir condições compatíveis com o tamanho e a importância do banco”, destacou o presidente da Fenae, Sergio Takemoto.

Saúde Caixa - Os resultados também são divulgados em meio às negociações da Campanha Nacional dos Bancários, nas quais o Saúde Caixa permanece como um dos principais pontos de impasse.

A representação dos empregados defende a retomada efetiva do modelo de custeio 70/30, com maior participação da Caixa, além do fim do teto estatutário de 6,5% que limita os gastos do banco com o plano.

Para a Fenae, é contraditório que o banco continue apresentando resultados bilionários e ampliando suas operações tente limitar sua responsabilidade com a saúde dos trabalhadores e transferir uma parcela cada vez maior dos custos para empregados, aposentados e pensionistas.

“Quem constrói esses resultados não pode ser chamado a pagar cada vez mais para manter um direito histórico. A Caixa precisa assumir sua responsabilidade com o Saúde Caixa e valorizar quem sustenta o banco todos os dias”, reforçou Takemoto.