Empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal de todos país avaliarão nova proposta apresentada pelo banco na rodada de negociação realizada na última quarta-feira (16). Hoje (21), das 11h às 18h, por meio de plataforma de votação eletrônica, a proposta será submetida à avaliação da categoria. 

Um dos principais pontos da nova proposta é a ampliação do teto de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, que passa de 6,5% para 9% da folha de pagamento a partir de 2027. O aumento representa uma elevação de quase 40% no limite de participação do banco. A proposta também mantém o pacto intergeracional, preserva o modelo solidário do plano, sem cobrança diferenciada por faixa etária, e garante a permanência do Saúde Caixa no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). 

Para 2026, não haverá reajuste nas mensalidades e a Caixa assumirá o déficit do plano. A partir de 2027, a contribuição do titular será de 3,7% da remuneração-base, enquanto a mensalidade dos dependentes diretos ficará em R$ 560. Para dependentes indiretos, filhos de 21 a 24 anos, o valor será de R$ 660. Para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes, a mensalidade será de R$ 900. 

O limite de contribuição do grupo familiar, formado pelo titular e seus dependentes diretos, será de 9%. Já o limite de participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa passa de 6,5% para 9% da folha de pagamento, o que representa um aumento de 2,5 pontos percentuais na participação da empresa, sendo aproximadamente R$ 900 milhões adicionais por ano de participação da Caixa. Essa mudança estabelece uma contribuição adicional permanente da Caixa, e não um aporte extraordinário.

De acordo com o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto, esse avanço retoma uma reivindicação histórica da representação dos empregados, pois amplia a participação da Caixa no custeio do plano em direção à recomposição do equilíbrio do financiamento entre patrocinadora e beneficiários. 

“A elevação do limite de participação da Caixa de 6,5% para 9% representa um avanço concreto nessa direção e contribui para a retomada e fortalece, no processo de negociação, a defesa do princípio de custeio 70/30 como referência para um financiamento mais equilibrado do Saúde Caixa”, declara Takemoto.

A nova proposta também reduz de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento e mantém a isenção de coparticipação na telemedicina. 

Outro compromisso apresentado pela Caixa é a criação, em até 60 dias, de um grupo de trabalho para discutir um novo modelo de gestão do Saúde Caixa, envolvendo questões relacionadas à governança, estrutura, prestação de contas e novas fontes de receita. O banco também concordou em disponibilizar pelo menos um empregado em cada Gerência de Pessoas (Gipes) e Representação Regional de Pessoas (Repes) para atuar exclusivamente nas demandas relacionadas ao plano. 

Mais avanços importantes da nova proposta 

A nova proposta não se resume ao Saúde Caixa. Ao longo das rodadas de negociação houve avanços em Promoção por Mérito, carreira, pessoas com deficiência, direito à desconexão, licenças, férias, diversidade, saúde dos trabalhadores, entre outros. 

Saúde Caixa

O Saúde Caixa enfrenta uma elevação expressiva dos custos assistenciais, com impacto sobre o resultado financeiro do plano. Na negociação, buscou-se construir uma solução que distribua esse esforço de forma mais equilibrada, combinando maior participação permanente da Caixa no custeio, atualização dos parâmetros de contribuição dos beneficiários e preservação da solidariedade e do pacto intergeracional.

Enquanto os custos assistenciais e os indicadores econômicos evoluíram, alguns parâmetros do plano permaneceram nos mesmos valores por diferentes períodos:

•    3,5% da remuneração-base do titular: desde 2022; 
•    R$ 480 por dependente direto: desde 2024; 
•    R$ 800 para dependentes de 24 a 27 anos: desde 2024; 
•    7% de teto familiar: desde 2024; 
•    R$ 75 para pronto-socorro: desde 2021; 
•    R$ 3.600 de teto de coparticipação: desde 2021. 

Nesse período, os custos de saúde, a inflação e os salários também evoluíram. Isso não significa que esses valores devam ser reajustados automaticamente por algum índice. Por isso, em um processo de negociação é importante considerar diferentes referências para avaliar os parâmetros.

Super Caixa

A Caixa também apresenta mudanças no Super Caixa ainda no segundo semestre de 2026. A habilitação passará a considerar o NS individual do empregado, e não mais a nota da unidade, enquanto o CSAT será aplicado apenas ao gestor-chefe. A premiação pela simples habilitação também aumenta de 25% para 50%. Isso é para evitar que toda a agência seja penalizada por ocorrências relacionadas a apenas um empregado. 

Para 2027, a empresa se comprometeu a divulgar o regulamento do Super Caixa já no início de janeiro, estudar a inclusão de novos produtos, revisar a metodologia de mensuração da satisfação dos clientes e dos negócios sustentáveis e rever as regras de gatilho, com escalonamento na faixa de premiação. 

Figital, Genesys e trabalho remoto

Em relação ao Figital (combinação de atendimento físico e digital) e ao Genesys (plataforma de tecnologia para atendimento e relacionamento com clientes), a Caixa informou que não haverá penalização em 2026. Para 2027, o intervalo atualmente considerado de cinco minutos deverá passar para dez minutos. 

Sobre o trabalho remoto, o tema será discutido no GT Trajetória, que deverá avaliar possíveis mudanças no modelo atual, com previsão de reuniões específicas, cronograma e prazo para avaliação de melhorias no modelo existente.

A Caixa também se comprometeu a discutir o Plano de Funções Gratificadas (PFG) e informou que o estudo de um novo piso salarial para empregados de Tecnologia da Informação foi incorporado ao trabalho realizado pela Deloitte.

Prêmio de R$ 3 mil e compensação da greve

A proposta mantém o pagamento de R$ 3 mil por empregado, referente ao atingimento do Índice de Eficiência Operacional (IEO) de 2026. Como já foi atingido em junho, o pagamento está garantido.

Em caso de aprovação da proposta, o dia de paralisação de 20 de agosto será abonado. Os dias úteis de greve deverão ser compensados em até 180 dias. Se os empregados votarem pela aprovação da proposta até 21 de setembro, a Caixa prevê o pagamento da PLR, do Super Caixa, do bônus e do prêmio de R$ 3 mil no dia 30 deste mês.

A proposta mantém também os direitos já previstos nos ACTs específicos e na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), além dos demais direitos negociados durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026. 

Para o presidente da Fenae, a participação dos empregados na assembleia é fundamental. “É muito importante que os empregados participem das assembleias que acontecem na próxima segunda-feira. Vamos continuar unidos na luta por nossos direitos. A proposta da Caixa apresentada em mesa trouxe melhorias no Saúde Caixa mantendo o pacto intergeracional, e aumentando o teto de participação da Caixa de 6,5% para 9%, além de outros importantes avanços em termos negociados.”, ressalta Sergio Takemoto.