Em mais uma rodada da mesa permanente de negociação, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) apresentou um grito de socorro à direção da Caixa Econômica Federal. Entre as demandas urgentes apresentadas pela Comissão na manhã desta terça-feira (26/05), estão o fim do teto de custeio do plano de assistência médica dos empregados, o Saúde Caixa, a mudança do modelo de remuneração variável do SuperCaixa e a construção conjunta de um novo modelo de atendimento nas unidades do banco. Mais uma vez, a CEE saiu da reunião sem uma proposta concreta que venha a atender a categoria.

Na abertura da reunião, o coordenador da CEE/Caixa, Felipe Pacheco, destacou a necessidade da retomada das negociações do Saúde Caixa e da mudança no modelo de remuneração variável implementado pelo banco, o SuperCaixa e o BonusCaixa. Segundo ele, o programa SuperCaixa não contemplou todos os empregados, atingindo apenas trabalhadores da rede, enquanto áreas como matriz e centralizadoras permaneceram sob outro modelo de remuneração.

“As mudanças acarretaram distorções e perdas financeiras significativas para os empregados que, mesmo atingindo metas individuais, deixaram de receber premiações devido a fatores externos ao desempenho pessoal. Além de ter sido implementado de forma unilateral, o SuperCaixa vem provocando desmotivação, sensação de tratamento desigual e insegurança entre os trabalhadores da rede”, reforçou o coordenador.

Já com relação ao modelo de atendimento nas unidades do banco, os membros da Comissão apresentaram diversas críticas ao processo de digitalização adotado. Segundo eles, o banco estaria impondo uma “digitalização forçada” aos clientes e aos empregados, com metas de tempo e cobranças por atendimentos virtuais simultâneos ao presencial, o que tem gerado sobrecarga, precarização do atendimento e riscos psicossociais aos trabalhadores: “Os empregados vêm sendo pressionados a atender clientes presencialmente e, ao mesmo tempo, responder às demandas do projeto Gênesys para evitar penalizações. Falta diálogo com os empregados que atuam diretamente nas agências”.

Por sua vez, o representante da FeebSPMS, Tesifon Quevedo Neto, reforçou que, desde a apresentação do SuperCaixa, em agosto do ano passado, a Caixa não trouxe simulação comparativa entre os dois modelos adotados (Bônus Caixa e SuperCaixa). “O programa gerou descontentamento e insegurança para os colegas da rede, tratando-os de forma desigual em relação aos empregados da Matriz e das Centralizadoras. E deixou duas indagações: quais comportamentos o SuperCaixa induziu na rede? E quando as regras do programa para 2026 serão apresentadas?”, questionou Tesifon.

Já o membro da CEE e vice-presidente da Fenae, Cardoso, defendeu a adoção de um modelo que precisa garantir estrutura adequada, contratação de pessoal e melhores condições de trabalho para não prejudicar clientes nem adoecer os empregados. “A Caixa não pode fazer uma digitalização forçada. O atendimento virtual precisa existir, mas com estrutura adequada, sem adoecer os trabalhadores e sem prejudicar o cliente que foi até a agência para ser atendido”, defendeu.

Ao criticar a forma como as mudanças vêm sendo implementadas pela Caixa, Rogério Campanate disse que as propostas de negociação ocorrem apenas depois de as decisões já estarem em execução. Com isso, as entidades não têm acesso aos normativos internos da empresa, e a mesa acaba funcionando mais como espaço de apresentação do que de negociação efetiva. “Os números apresentados pela empresa não refletem integralmente a realidade da rede, devido à forte pressão por resultados sofrida por empregados e gestores, o que acaba resultando em distorções nos indicadores”, disse Campanate.

Também membro da CEE/Caixa e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiza Hansen relatou, durante a reunião, uma série de denúncias recebidas diariamente pela representação dos trabalhadores sobre as condições nas agências da Caixa. Segundo ela, empregados de diferentes regiões do país vêm demonstrando desespero diante da sobrecarga, da cobrança excessiva por metas no atendimento digital e da falta de estrutura nas unidades.

“Hoje, a rede de agências da Caixa vive uma situação desesperadora, marcada por sobrecarga, adoecimento, penalizações constantes e profundo sentimento de desvalorização. Os empregados atendem presencialmente, virtualmente, são cobrados por metas e ainda precisam lidar com a revolta dos clientes diante da demora causada pela falta de empregados e pela falta de estrutura da própria empresa”, reforçou.

Um contraste em relação à realidade vivida pelos empregados da rede foi o vídeo da Caixa Seguridade que circulou hoje nas redes sociais. “É um absurdo que, enquanto os empregados penam, a Caixa apresente uma realidade totalmente diferente da enfrentada nas agências bancárias de todo o país”, criticou Edson Heemann.

Saúde Caixa

Durante a rodada de negociações sobre o Acordo Coletivo de Trabalho e o Saúde Caixa, Tatiana Oliveira, membro da CEE, cobrou da direção do banco avanços concretos para garantir a sustentabilidade do plano de saúde dos empregados. Ela destacou que o curto período da campanha salarial exige que temas considerados prioritários, como o fim do teto de custeio da Caixa no Saúde Caixa, sejam enfrentados imediatamente nas negociações.

“Entendemos, olhando os números do plano, que não existe alternativa viável para o financiamento da saúde dos empregados sem ampliar a responsabilidade da Caixa nesse custeio. Como o teto já foi atingido há anos, tudo o que ultrapassa esse valor recai sobre os trabalhadores. Precisamos derrubar esse teto para preservar os princípios do Saúde Caixa, evitar mais custos para os empregados e garantir o retorno da proporção 70/30 no financiamento do plano”, afirmou Tatiana Oliveira.

Por um banco realmente público

“A Caixa é mais que um banco! A segmentação de clientes e a digitalização de atendimentos não podem significar abandonar o papel social da Caixa, pois, ao dificultar o atendimento físico e o atendimento aos mais humildes, fica evidente que está deixando de ser um banco inclusivo”. Com estas palavras, Antonio Abdan reforçou o sentimento que cada um deve ter para manter a Caixa sendo o banco público da população brasileira.

Posição da Caixa

Diante das cobranças e denúncias feitas pelos representantes dos trabalhadores, a Caixa se comprometeu que não haverá ranqueamentos internos entre unidades, considerando número de mensagens enviadas aos clientes, quantidade de empregados logados e volume de atendimentos realizados.

Após questionamentos, a Caixa afirmou que não há penalização no resultado para tempo de resposta superior a cinco minutos por parte do empregado. De acordo com o banco, a penalização existe quando ocorre o transbordo para a agência digital.

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