Em um ano de vigência, completado no último dia 21 de março, o programa Crédito do Trabalhador já movimentou mais de R$ 117 bilhões em empréstimos consignados em todo o país. Ao todo, foram firmados 20,9 milhões de contratos, beneficiando cerca de 9,5 milhões de trabalhadores, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. A pedido da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) fez um levantamento com os principais destaques do programa.

Os números evidenciam a expansão da iniciativa, que tem como foco ampliar o acesso ao crédito com juros mais favoráveis, especialmente para a população de menor renda. Desse total, mais de R$ 33,2 bilhões foram destinados a trabalhadores que recebem entre um e quatro salários mínimos.

Atualmente, o programa conta com 166 instituições financeiras habilitadas. Entre os bancos com maior volume de operações estão Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Santander Brasil e C6 Bank.

Um dos principais avanços do Crédito do Trabalhador é a ampliação do público atendido. O consignado passou a alcançar categorias que historicamente enfrentavam maiores dificuldades de acesso ao crédito, como empregados domésticos, trabalhadores rurais e empregados de microempreendedores individuais (MEI), contribuindo para a inclusão financeira e a redução das desigualdades no mercado de crédito.

Pela primeira vez no país, trabalhadores domésticos com carteira assinada passaram a ter acesso ao consignado com juros mais favoráveis. Até o momento, mais de 30 mil profissionais, entre empregados de serviços gerais, babás, cuidadores de idosos, motoristas, cozinheiros e jardineiros, foram contemplados, somando R$ 80,3 milhões em empréstimos.

Segundo o levantamento do Dieese para a Fenae, um ponto relevante é o impacto na organização financeira das famílias. O programa possibilita a substituição de dívidas mais caras, como o crédito rotativo do cartão e o cheque especial, por linhas com taxas mais acessíveis. Enquanto essas modalidades podem chegar a 9% ao mês, o consignado apresenta taxa média de 3,6% ao mês. O desconto direto em folha reduz o risco de inadimplência e ajuda a viabilizar melhores condições. Além disso, o modelo estimula a concorrência entre instituições financeiras, ampliando as opções disponíveis e favorecendo a negociação de taxas e prazos mais vantajosos para os trabalhadores.

Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, “o Crédito do Trabalhador representa uma política importante de inclusão financeira e um instrumento que pode contribuir para maior equilíbrio no orçamento das famílias. Nós apoiamos a iniciativa do governo federal por entender que o acesso a crédito mais barato, quando utilizado de forma consciente, pode deixar de ser apenas uma solução emergencial e se tornar uma ferramenta de planejamento financeiro”.

Esse cenário, no entanto, também traz desafios. O aumento da oferta exige que o trabalhador esteja atento às condições propostas, comparando taxas, prazos e o impacto das parcelas na renda. O acesso ao crédito, por si só, não garante melhoria da situação financeira. O resultado depende diretamente de como o recurso é utilizado. Por isso, compreender o funcionamento dos juros, as diferenças entre modalidades de crédito e as melhores estratégias para contratação é fundamental para evitar o endividamento excessivo. Nesse contexto, a educação financeira ganha ainda mais relevância como complemento ao acesso ao crédito.

É importante ressaltar que o governo também anunciou nesta semana que estuda medidas para continuar reduzindo os juros do consignado privado. Uma das propostas é considerar abusivas taxas acima da média de um determinado patamar, o que, na prática, funcionaria como um teto para os juros cobrados. O governo também pretende regulamentar o uso do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia para o consignado privado, o que pode ajudar a baixar os juros.

Nesse sentido, a Fenae está em fase de elaboração de um documento com orientações econômicas voltadas aos empregados da Caixa e à população em geral, abordando temas como juros, taxa Selic, empréstimos e crédito, com o objetivo de fortalecer a educação financeira e contribuir para escolhas mais seguras no uso desses recursos.

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