No domingo (10/05), data em que o Brasil celebra o Dia das Mães, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) presta uma justa homenagem a todas as mães brasileiras, especialmente àquelas que vivem uma rotina marcada pela chamada jornada 7x0. O seja, sete dias de trabalho sem um descanso semanal.

De acordo com a plataforma De Mãe em Mãe, 97% das mães brasileiras se sentem sobrecarregadas diariamente. Para além das homenagens merecidas, a Fenae considera inevitável chamar atenção para a realidade exaustiva enfrentada pelas mulheres trabalhadoras e mães, que conciliam a profissão com os cuidados da casa, dos filhos e da família.

O estudo Políticas para a Corresponsabilidade no Mundo do Trabalho mostra que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais às tarefas domésticas e ao cuidado de pessoas. Quase o dobro do tempo dedicado pelos homens, que é de 11,7 horas. A desigualdade de gênero faz com que elas assumam quase dez horas a mais por semana em atividades de cuidado e trabalho doméstico.

Apesar do discurso de que todas as mães são iguais, a maternidade é vivida de forma profundamente desigual no Brasil. Segundo o estudo, a carga é ainda maior entre mulheres negras, que chegam a dedicar 22,4 horas semanais a essas atividades. Elas também representam a maioria da população brasileira. Já mulheres de classe média alta, em muitos casos, conseguem transferir parte desse trabalho para outras mulheres, especialmente mulheres negras.

“Essas mulheres, além de trabalharem fora para garantir o sustento de suas famílias, são as principais responsáveis pela educação e pelos cuidados com os filhos, com pessoas idosas ou acamadas e pelos afazeres domésticos. Lutar pelo fim da escala 6x1 é fazer um pouco de justiça para mães que movimentam o Brasil”, afirma Sergio Takemoto, presidente da Fenae.
Mais trabalho, menos renda

A observação do presidente da Fenae é reforçada por pesquisa do IBGE, que aponta que o Brasil possui mais de 11 milhões de mães solo. Nesses casos, tanto os cuidados com os filhos quanto as tarefas domésticas recaem exclusivamente sobre elas. Essa realidade faz com que as mulheres sejam maioria na chefia dos lares brasileiros: atualmente, 51,7% das famílias dependem da renda feminina.

Em contrapartida, a sobrecarga de tarefas e responsabilidades impede que muitas dessas mulheres consigam acessar o mercado formal de trabalho. Entre as que chefiam suas famílias, mais de 58% vivem com renda de até um salário-mínimo. E, mesmo quando conseguem empregos formais, ainda recebem, em média, 20,9% menos do que os homens.

Neste Dia das Mães, mais do que flores e homenagens, a Fenae defende a necessidade de reflexão sobre a realidade enfrentada por milhões de mulheres brasileiras. Valorizar as mães também significa lutar por condições dignas de trabalho, divisão mais justa das responsabilidades domésticas e políticas que garantam qualidade de vida, renda e tempo para viver.

Canal da Fenae no WhatsApp

Participe do canal oficial da Fenae no WhatsApp e fique por dentro de todas as informações da Fenae e de interesse dos empregados da Caixa. Acesse: https://link.fenae.org.br/canalfenae