A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) cobra explicações da direção da Caixa Econômica Federal sobre a possibilidade de compra de carteiras de crédito do BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal envolvido diretamente no escândalo do Banco Master.
 
O ofício foi enviado pela Fenae à direção da Caixa, nesta terça-feira (24), após a imprensa revelar que o banco federal estaria negociando a compra de carteiras de crédito do BRB. Diante da operação de risco e como representante dos empregados da Caixa em todo o país, a Fenae solicitou esclarecimentos formais ao presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, sobre a operação financeira.
 
De acordo com a imprensa, caso a negociação seja efetivada, o BRB pode reforçar sua liquidez imediata e ganhar tempo enquanto se busca uma solução para o buraco de ao menos R$ 5 bilhões que deve se abrir no balanço com as provisões (reservas) necessárias para fazer frente a eventuais perdas com os ativos herdados do Banco Master. Uma reunião entre os presidentes dos dois bancos, Carlos Vieira (CEF) e Nelson de Souza (BRB) está marcada para acontecer nesta terça-feira (24/02).
 
No documento enviado à direção do banco, a Fenae reforçou a relevância estratégica, econômica e social da Caixa para o Estado e para a sociedade brasileira. Para a entidade, a possibilidade de negociações entre os dois bancos sem que haja transparência suficiente quanto aos seus fundamentos técnicos e os riscos envolvidos é motivo de preocupação.
 
Entre os tópicos com o pedido de explicações formais à direção da Caixa sobre a negociação, estão: Esclarecimentos formais, bem como a confirmação da existência e do estágio atual das negociações mencionadas; Informações sobre os mecanismos de controle, compliance e transparência aplicados ao processo decisório; e A garantia de que quaisquer decisões observarão rigorosamente o interesse público, a sustentabilidade da instituição e a preservação de sua missão social.
 
“É inaceitável expor o patrimônio público, a credibilidade institucional e o trabalho de seus empregados a uma negociação cuja relação risco-retorno não se mostra clara e plenamente justificada. Prudência, transparência e responsabilidade devem prevalecer sobre qualquer movimento”, reforça a nota assinada pelo presidente da Fenae, Sergio Takemoto.

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