Em 2026, uma das principais pautas de reivindicação da classe é a redução na atual jornada de trabalho de 6x1. Para isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso Nacional, no dia 14 de abril, um projeto de lei nº 1.838/2026 que prevê a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. A proposta também trata do fim do modelo de escala 6x1, tema que vem mobilizando diferentes trabalhadores de diferentes categorias, centrais sindicais e gerando amplo debate no país. De acordo com o texto, os dias de repouso poderão ser definidos em negociação coletiva, respeitando as peculiaridades de cada atividade.

O Governo defende que a redução do limite da jornada de trabalho e a garantia de dois dias de descanso remunerado aos trabalhadores não poderá impactar numa redução salarial do empregado.  Na prática, o projeto de lei estabelece uma nova referência para o mercado de trabalho brasileiro, com impacto direto sobre milhões de trabalhadores, e promove ajustes na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e em legislações específicas para assegurar a aplicação uniforme das novas regras.

Apesar de os bancários terem uma jornada de trabalho menor que a de 40 horas semanais, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) reforça o comprometimento com as demais categorias trabalhistas. Para o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, reduzir a jornada de trabalhado no Brasil é mais uma forma de promover justiça social, especialmente porque as jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade. 

“Essa pauta também é uma medida de redução de desigualdades no mercado de trabalho. A gente luta pelo fim da escala 6x1, mas também é preciso lembrar que há uma precarização enorme no mundo do trabalho. A reforma trabalhista retirou direitos, e o número de pessoas alcançadas pela CLT vem diminuindo cada vez mais. O Dia do Trabalhador é fundamental para conscientizar as pessoas sobre os seus direitos. Porque só assim a gente vai fortalecer essa luta”, reforça Takemoto.

De acordo com informações do Ministério do Trabalho, cerca de 37,2 milhões de trabalhadores no Brasil têm jornadas acima de 40 horas semanais, o equivalente a aproximadamente 74% dos profissionais com carteira assinada. Destes, cerca de 14 milhões de brasileiros trabalham na escala 6x1, com apenas um dia de descanso. Aproximadamente 1,4 milhão são trabalhadores domésticos. 

Para o Governo Federal, ao ampliar o tempo livre dos trabalhadores, o PL busca melhorar a qualidade de vida, fortalecer a convivência familiar e reduzir impactos na saúde. Em 2024, por exemplo, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. As jornadas mais extensas estão concentradas entre trabalhadores de menor renda e menor escolaridade, o que faz da proposta também uma medida de redução de desigualdades no mercado de trabalho.

Jornada de trabalho pelo mundo 

O projeto aproxima o Brasil de um movimento já em curso em diversos países do mundo. Na Europa, por exemplo, a jornada de 40 horas ou menos já é predominante: a França adota 35 horas semanais desde os anos 2000, e países como Alemanha e Holanda operam, na prática, com médias inferiores a 40 horas.  Na América Latina, o Chile aprovou a redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029.  Por sua vez, a Colômbia está em transição de 48 para 42 horas até 2026.
 

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Fonte: Fenae com informações da Presidência da República