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30/04/21 18:42 / Atualizado em 30/04/21 18:50

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Continuar a resistência para evitar ampliação da privatização

Movimento conseguiu adiar por seis anos a abertura do capital da Caixa Seguridade. IPO da subsidiária foi realizado na última quinta

Após seis anos de resistência, em que o movimento dos empregados da Caixa conseguiram adiar a privatização da Caixa Seguridade, foi realizado na última quinta, dia 29, o IPO (Oferta Inicial de Ações, na sigla em inglês) da subsidiária controlada pela Caixa. Foram oferecidas ao mercado 517 milhões de ações e o preço, definido de acordo com a procura, ficou em R$ 9,67 — dentro da faixa estimativa da oferta, que era de R$ 9,33 a R$ 12,67. A Caixa arrecadou R$ 5 bilhões (valor bruto), com a operação.

A representante dos empregados no Conselho de Administração (CA) da Caixa, Rita Serrano, lamentou o que ela classificou como um erro: “Essa discussão do IPO da Seguridade começou em 2015, ainda era suplente no CA, mas votei contra, porque sempre entendi que essa questão da privatização de áreas estratégicas do banco é muito ruim, basta ver que nenhum dos grandes bancos privados, Itaú, Bradesco, Santander, tem listadas suas empresas de seguridade  e capitalização na bolsa de valores, até porque boa parte da receita vem dessas áreas, e na Caixa também, a Caixa Seguridade já é a terceira maior empresa de seguros do Brasil”, ressalta.

Rita Serrano lembra que foi a resistência capitaneada pelos empregados da Caixa que adiou esse processo de privatização. “Agora foram 15% de ações negociadas, mas a partir do IPO o banco pode a qualquer momento vender mais ações e inclusive, perder o controle da Caixa Seguridade. É algo bastante preocupante. Agora é continuar a resistência para evitar que isso se amplie e não se concretize a venda das demais subsidiárias que a direção atual da Caixa pretende colocar à venda”, afirmou ela.  

 

 

A direção do banco já anunciou que pretende abrir o capital da Caixa Cartões, da Caixa Asset e do banco digital que está sendo construído por meio do Caixa Tem, o aplicativo criado para viabilizar o pagamento de programas sociais como o auxílio emergencial na pandemia de Covid-19. 

 

 

Para piorar, o destino dos recursos com a possível venda das subsidiárias nem passa perto de capitalizar o banco, fortalecer as políticas públicas e alavancar o desenvolvimento do país, como ressalta o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto: “grande parte do valor será usado para antecipar a devolução dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD). Esses recursos não têm prazo para devolução, mas o presidente do banco já anunciou que vai devolver aproximadamente R$ 35 bilhões de reais em onze anos, o que vai causar a descapitalização da Caixa. Considerando o Patrimônio Líquido do banco em 2020, de R$ 92,7 bilhões, estima-se que em poucos anos a Caixa devolverá 1/3 de seu capital para o Tesouro Nacional” afirmou ele. 

 

 

Takemoto avalia que é mesmo preciso dar nome aos bois: isto significa o primeiro passo para a privatização do banco. A subsidiária é uma das áreas mais lucrativas e estratégicas da Caixa. Nos bancos públicos, ele ressalta, o caminho é inverso. A venda de parte das ações da BB Seguridade, em 2013, fez o banco perder rentabilidade. Num primeiro momento, levou dinheiro ao banco, mas estancou a possibilidade de receitas e resultados futuros. Nem isso vai acontecer com a Caixa, já que o destino dos recursos da possível venda das ações será o pagamento de juros da dívida pública, critica o dirigente.  

 

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