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06/04/20 18:37 / Atualizado em 09/04/20 19:58

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“Temos que acabar com a venda dos ativos da Caixa”, diz presidente da Fenae

Protagonismo da Caixa durante a crise mostra importância de manter o banco 100% público, diz Jair Ferreira. Ele também defendeu mais medidas de proteção aos empregados Caixa, que estão na linha de frente no atendimento ao público

 

"Ou você defende os bancos públicos ou estamos fadados a empobrecer ainda mais", afirmou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Pedro Ferreira, em entrevista à TV 247 nesta segunda-feira (6). Ele defendeu o fim das vendas de ativos e que prejudicam e enfraquecem o papel social da Caixa. O presidente da Federação ressaltou o papel fundamental dos bancos públicos nesse período de crise do coronavírus para manter a economia e o desenvolvimento social da população mais vulnerável.

“Temos que acabar com as vendas de ativos. Se tivessem feito o que os governos Temer e o Bolsonaro queriam fazer com a Caixa  vender ativos, devolver IHCD, como você ia abrir mão de uma empresa que está presente em praticamente todos os municípios. A Caixa devolveu recursos do tesouro, chamado IHCD. Se tivéssemos esse recurso agora, pelas regras de marcado poderia ser transformado em tantos outros bilhões de empréstimos que é o que as pessoas estão precisando”, explicou Jair.

Em janeiro deste ano, a Caixa devolveu mais R$ 8,350 bilhões dos recursos tomados ao Tesouro Nacional por meio do Instrumento Híbrido de Capital e Dívida (IHCD). A devolução do IHCD enfraquece a Caixa e penaliza a população, diminuindo a capacidade do banco de novos empréstimos.

Na entrevista, Ferreira criticou a forma como o governo está lidando com a pandemia. Um dos exemplos foi a demora na aprovação do projeto da Renda Básica Emergencial (RBE) e a falta de informação à população que tanto precisa desse dinheiro. Para ele, o governo federal e a presidência da Caixa fazem uma política cruel e deliberada sem tomar decisões para melhorar a vida da população mais vulnerável e que está sendo atingida pela crise.

Junto com os bancos públicos, a Caixa vem sendo acionada pelo governo federal para auxiliar na economia. Além dos R$ 75 bilhões a serem injetados no mercado, a capilaridade da Caixa será utilizada para o pagamento dos R$ 600 da RBE. No entanto, a direção da Caixa ainda não informou como será feito o pagamento. A previsão é que o calendário seja divulgado nesta segunda-feira (6).

Para o presidente da Fenae, a Caixa tem dois papéis importantes a cumprir. "O primeiro é atender a população nesses serviços emergenciais. O segundo é manter a sua capacidade de empréstimos, sua capacidade de fomentar o desenvolvimento, ajudar os estados, municípios, as pequenas, medias e grandes empresas com financiamentos de longo prazo", afirmou Ferreira.

Durante a entrevista, a ex-presidente da Caixa, Miriam Belchior, enviou um comentário destacando a grandiosidade da Caixa que pode ser usada para auxiliar a população neste momento. "A demora em disponibilizar os R$ 600, em disponibilizar as regras pra Caixa fazer os repasses às populações vulneráveis é criminoso. A Caixa é poderosa e não está sendo utilizada", avaliou.

Filas nas agências e a falta de informação

A preocupação com as aglomerações e filas extensas nas agências também foi um ponto de debate na entrevista. Ferreira afirmou que o governo precisa lançar campanhas para informar a população sobre os detalhes do pagamento da RBE e serviços essenciais que estão sendo atendidos diretamente nas agências. Essas ações poderiam evitar as crescentes filas nas portas das agências.

"O governo e o presidente da Caixa precisam se empenhar para resolver e dar segurança ao trabalhador. Façam campanhas e informem as pessoas o que ninguém está dizendo. A Caixa precisa dizer para a população quais são os serviços essenciais. Sobre os pagamentos dos R$ 600, a Caixa precisa detalhar como será operacionalizado. Muitas vezes a pessoa fica três horas numa fila de agência para descobrir que não tem nada lá", ressaltou.

Segundo o presidente da Fenae, a Federação, juntamente com a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa, o Comando Nacional dos Bancários, Contraf-CUT, sindicatos e demais entidades, está atenta as situações dos empregados da Caixa. As constantes reivindicações das entidades permitiram a construção de um protocolo e medidas para assegurar a saúde e vida dos trabalhadores e da população. "O que precisamos garantir é que os trabalhadores da Caixa que vão atender a população, e que atendem com muito carinho e respeito, tenham condições para atender. Essas pessoas estão na linha de frente e precisam ser valorizadas pela empresa", declarou.

Confira abaixo a entrevista completa do presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira:

 

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