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03/05/21 16:27 / Atualizado em 03/05/21 16:36

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População mais carente é a mais prejudicada com privatização dos bancos públicos, diz presidente da Fenae

Sergio Takemoto participou de uma live com o Jornalistas Livres neste domingo (2) e falou sobre os principais prejuízos não só para o banco, mas para a população que mais precisa dos serviços e políticas públicas oferecidos pela Caixa

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, participou de uma live com os Jornalistas Livres neste domingo (2). O assunto foi o ataque do governo aos bancos públicos e quais os prejuízos para a população brasileira.

Para o presidente da Fenae, a privatização da Caixa a partir do fatiamento do banco em subsidiárias vai esvaziar a capacidade financeira da instituição. O lucro do banco nos últimos anos não significa fortalecimento da Caixa, pois foram obtidos com a venda de patrimônio.

“Em 2019, a Caixa vendeu ações de participação que tinha na Petrobras, da Vale. Em 2020, os lucros foram obtidos com as vendas no balcão da Caixa, de seguros. São lucros artificiais. Daqui a dois ou três anos não vai mais existir porque a Caixa está vendendo o que sustentava o lucro do banco”, disse Takemoto, citando a Caixa Seguridade, que foi listada na Bolsa de Valores B3 na última sexta-feira (29).

Além dos prejuízos ao banco, a privatização vai afetar a população de um modo geral, pois devem ser alteradas as taxas de juros, empréstimos, financiamentos e as políticas que induzem o desenvolvimento do país. No entanto, quem mais deve sofrer é a população mais carente das políticas públicas que são operadas pelo banco.

Na área habitacional, por exemplo, a Caixa é responsável por mais de 90% dos financiamentos para a população que ganha até R$ 1.800. Mas o governo cortou 98% dos recursos que eram destinados a este público, que atendia à Faixa 1 do antigo Minha Casa Minha Vida. De R$ 1,540 bilhão previsto para 2021, o valor a ser repassado será de somente R$ 27 milhões - R$ 1,513 bilhão a menos. “É o fim do sonho da casa própria para quem ganha até R$ 1.800”, disse Takemoto.

Outro dado apresentado pelo presidente da Fenae aponta para o esvaziamento das funções públicas da Caixa e das políticas sociais. “Em 2014, a Caixa financiou 732 mil bolsas de estudo; em 2021 serão somente 93 mil bolsas. São dados que infelizmente não são noticiados na grande imprensa”, ressaltou.

Estatais na pandemia  

As empresas estatais têm sido fundamentais para ajudar o Brasil a enfrentar a crise econômica, social e sanitária causada pela pandemia, avaliou Takemoto na live. Ele citou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Caixa. Mas em vez de valorizar as estatais e fortalecer o Estado, o governo aproveita as realizações das empresas para vendê-las.

No caso da Caixa, os empregados desenvolveram o aplicativo Caixa TEM, que permitiu o pagamento do Auxílio Emergencial. Agora o presidente do banco quer fazer deste aplicativo a base de uma subsidiária chamada Banco Digital, que já tem objetivo de ser privatizada.  “Já sabemos que o banco digital é o futuro do sistema financeiro. Ou seja, vão tirar isso da Caixa e entregar de mão beijada, como fizeram com a Caixa Seguridade”, alertou.

Takemoto informou que a união e uma grande resistência das estatais serão fundamentais para defender as empresas públicas antes que as ações de privatização sejam irreversíveis, como aconteceu com a Vale e outras empresas públicas. “Só quem ganha é o grande capital. A população sempre perde. Por isso as empresas estatais são fundamentais para minimizar a desigualdade social tão profunda deste país”.

Além de Takemoto, participaram da live o coordenador da Comissão dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga e a presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Eneida Koury. 

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