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22/10/19 15:19 / Atualizado em 22/10/19 17:41

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“Nova Previdência brasileira” é igual a que causa pobreza e revolta no Chile

No Brasil, reforma deve ser aprovada hoje no Senado. Governo ainda pretende instituir o modelo de capitalização

Enquanto o Brasil se prepara para aprovar uma reforma da previdência que castiga os mais pobres - hoje o Senado vota em segundo turno o último ato da aprovação - o Chile vive dias de manifestações justamente porque passou por processo parecido. Um dos países mais ricos da América Latina, o Chile passou por mudanças profundas no sistema de previdência e essas mudanças são responsáveis pela grande revolta popular que atingiu o país inteiro.

Basicamente, o modelo chileno é uma espécie de capitalização, parecido com o que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer implementar no Brasil. Os trabalhadores depositam todo mês cerca de 12% do salário em contas individuais, que são gerenciadas por entidades privadas, o que eles chamam de Administradores de Fundos de Pensão.

Não é mera coincidência se você achou que ouviu algo parecido. No Brasil, dia após dia, o governo tem tomado medidas para entregar o sistema previdenciário para o bancos privados, assim como faz também com os fundos de pensão. No Chile, a promessa era que esses administradores investissem o dinheiro das pessoas em para gerar mais benefícios e proporcionar uma aposentadoria digna aos trabalhadores, mas a realidade é que essas gestoras privadas fazem grande parte de seus investimentos fora do país e devolvem uma aposentadoria miserável, fazendo com que os aposentados recebam muito menos do que quando trabalhavam. A média paga para esses trabalhadores não passa de US$ 220, pouco mais da metade do salário mínimo.

Com o discurso parecido com o brasileiro – o de que a medida seria para impedir privilégios – também não deu em nada. Lá, militares e policiais participam de um sistema que é separado e, obviamente, paga aposentadorias muito maiores.

O professor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile e doutor em Economia pela Universidade de Berkeley, Andras Uthoff, explicou ao Uol que a revolta se deu pelo novo sistema previdenciário e também pela privatização dos serviços públicos, que representaram um custo elevadíssimo nas contas dos trabalhadores.

“Para financiar o custo da transição para o sistema de capitalização, uma das medidas foi cortar gastos em saúde, educação, moradia. A qualidade dos serviços públicos se deteriorou e nunca recuperou níveis de dignidade, como prometido", afirma

Na prática, o sistema previdenciário chileno deixa 44% de seus beneficiários com aposentadorias abaixo da linha oficial de pobreza e 79% abaixo do salário mínimo. A ilegitimidade do sistema, e sua desconexão com as diferentes formas de trabalho no Chile, a insatisfatória solidariedade no financiamento, compõem os outros elementos da crise do sistema.

A diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, faz o alerta para os riscos que o Brasil corre de aprovar uma reforma ainda mais injusta que a chilena. “A distribuição de renda no Brasil é bem mais injusta do que a do Chile. Podemos afirmar que o resultado dessa reforma proposta pelo governo será devastador para os brasileiros”, afirma.

Fabiana lembra ainda que no Brasil, segundo dados do IBGE, metade da população vive com pouco mais que R$ 400. “Esse dado, por si, é emblemático em relação a uma reforma que só atinge os mais pobres. Se ela passar hoje no Senado, vamos viver o processo que o Chile viveu e os resultados aqui certamente serão piores do que lá”, lamenta.

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