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13/08/19 15:04 / Atualizado em 13/08/19 15:57

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Margaridas são homenageadas na Câmara dos Deputados

Na Casa do povo, todas pedem o fim da violência contra a mulher, justiça social, igualdade e contra o retrocesso do país

“As mulheres do campo, das florestas e das águas resistem e querem que este país mude”. Esta foi uma das vozes em defesa das mulheres trabalhadores, da soberania e da democracia no Brasil que ecoaram na Sessão Solene em homenagem à 6ª Marcha das Margaridas, realizada no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados, na manhã desta terça-feira (13), em Brasília. A Marcha será amanhã, quando são aguardadas 100 mil pessoas.

A sessão solene, requerida pelas deputadas Érika Kokay (PT-DF) e Talíria Petrone (PSOL-RJ), foi acompanhada por cerca de 600 representantes de grupos de mulheres, por parlamentares, pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e por movimentos sociais. A diretoria da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) foi representada na homenagem pelo presidente, Jair Pedro Ferreira. A ocasião simboliza a resistência e luta de milhares de Margaridas de todo no país, lembrando os 36 anos do assassinato da agricultora Margarida Maria Alves.

Para a secretária da Mulher da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Elaine Cutis, as mulheres mais uma vez estão mostrando a sua força contra a retirada de direitos e aos retrocessos propostos pelo governo conservador de Jair Bolsonaro. “Este ano mais do que nunca a Marcha das Margaridas une mulheres de todos os cantos do país, que vem denunciar os ataques às trabalhadoras e trabalhadores do campo e da cidade. Estaremos juntas dizendo não ao retrocesso e não a violência contra as mulheres. Juntas somos mais fortes para lutar pelos nossos direitos”, enfatizou.

O plenário do parlamento recebeu ainda mulheres que compõem a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, que ocuparam nesta terça-feira a Esplanada dos Ministérios ao lado dos estudantes e trabalhadores. Ao presidir a sessão solene, Érika Kokay destacou a luta da agricultora que foi assassinada e a busca das mulheres pela liberdade, por direitos, pela água, bem como pela soberania do país. “As Margaridas resistem e denunciam. Brasília hoje está florida com a Marcha”, discursou a deputada.

“Desde 2001 já alcançamos muitas vitórias com esse movimento. Hoje conseguimos ter o nome no título de terra porque lutamos na marcha. Antes, não podíamos ter nosso nome nem mesmo acompanhando o nome do marido,” esclarece a agricultora paraense Maria Rosa Silva de Almeida, que veio representando centenas de mulheres que trabalham com a terra.

A agricultora de Oeiras no Piauí, Honorina Maria de Oliveira também participa da marcha e fala do que presenta o evento: “Este é um momento em que reivindicamos nossos direitos como mulheres e como pessoa que contribui para a agricultura familiar. Além de precisarmos de água para plantio e de sementes, precisamos da união com todas”, afirma a também delegada sindical ligada à Federação dos Trabalhadores Rurais (Contag), entidade que apoia a marcha.

Além das mulheres do campo, o Movimento dos Atingidos por Barragens de Porto Velho (RO) também teve suas representantes no evento, como Elza Mafal, que veio a Brasília em companhia de mais seis colegas. Elas, que saíram sábado passado de Porto Velho e estão acampadas no Pavilhão do Parque da Cidade, fizeram a visita à Câmara.

“Como a marcha define, todas pedem o fim da violência contra a mulher, justiça social, igualdade e contra o retrocesso do país. É por essas questões que a Fenae se junta a esta homenagem e espera que a luta dos movimentos sociais tenha êxito em todas as reivindicações”, disse Jair Ferreira. Entre as principais pautas que unem as trabalhadoras rurais, destaca-se a luta de classes pela manutenção de direitos, como a aposentadoria.

Programação da Marcha das Margaridas

Amanhã (14), a concentração para a saída da Marcha será às 6h, no Pavilhão do Parque da Cidade. A Marcha segue a partir das 7h em direção ao Congresso Nacional.

 Ainda nesta terça-feira, partir das 14h, serão realizadas atividades simultâneas no Pavilhão do Parque da Cidade: oficinas, plenárias, painéis, Mostra das Margaridas, rodas de conversa, entre outras. A abertura oficial será hoje, às 19h, seguida de programação cultural.

Neste ano, a Marcha das Margaridas tem como lema Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência. A marcha reúne as trabalhadoras a cada quatro anos, desde os anos 2000, sempre em Brasília, para lutar por direitos e denunciar retrocessos.
 

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