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23 Novembro 2018 - 12:46

Mais dois golpes contra a Caixa: presidente privatista e plano de demissão

No governo Bolsonaro, banco será presidido por especialista em privatizações. Até lá, com reabertura de PDE, mais de 1.600 empregados poderão deixar a empresa

Mais dois duros golpes contra a Caixa Econômica Federal foram dados nesta quinta-feira (22). Um deles, vindo do futuro governo de Jair Bolsonaro, foi a confirmação de que Pedro Guimarães, um especialista em privatizações, vai presidir o banco a partir de 2019. O outro veio do governo de Michel Temer, com a reabertura do Plano de Desligamento de Empregado (PDE), cujo objetivo é reduzir ainda mais o quadro de pessoal do banco.

“A cada dia se intensificam os ataques ao banco 100% público, com forte papel social e a serviço dos brasileiros. O que temos hoje é um projeto para diminuir e fatiar a Caixa, modelo esse que deve ser mantido pela próxima gestão. Por isso, reforço que a resistência dos empregados, das entidades e da sociedade será fundamental para barrar esses e outros retrocessos”, afirma o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Pedro Guimarães, indicado pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, foi um dos responsáveis por fazer o levantamento das estatais que podem ser vendidas no futuro governo. Sócio do banco de investimento Brasil Plural, atua há mais de 20 anos no mercado financeiro na gestão de ativos e reestruturação de empresas. Na Caixa, especula-se que deverá iniciar sua gestão pela venda da área de cartões de crédito e de seguros.

“A imprensa noticia que a missão dos presidentes da Caixa e do Banco do Brasil será ‘privatizar o que for possível’, vender ativos, reduzir o papel do Estado. Além dos dois bancos, empresas como Petrobras, BNDES, Correios e Eletrobras são patrimônio dos brasileiros, não podem ser entregues a preço de banana para o setor privado com a desculpa de reduzir despesas e elevar a eficiência. O discurso é o mesmo da década de 1990”, lembra Jair Ferreira.

Em relação ao PDE, o objetivo é ter até 1.626 desligamentos, com prazo de adesão de 26 a 30 de novembro. “Aderir ao plano de demissão é um direito dos empregados. O que sempre reivindicamos é que as vagas deixadas sejam preenchidas. A Caixa tinha 101 mil trabalhadores no final de 2014, e agora serão algo em torno de 84 mil. O que poderemos ter é a redução do número de agências e bancárias e bancários ainda mais sobrecarregados”, frisa Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa).

Segundo Dionísio Reis, que também é diretor da Fenae, serão realizados dois Dias de Luta com o objetivo de reforçar a luta. “Na próxima quinta-feira, 29 de novembro, data para a qual foi marcado o leilão da Lotex, vamos nos mobilizar contra o fatiamento da Caixa. Já em 6 de dezembro, será dia de defender os bancos públicos. Para que nossa luta seja vitoriosa são essenciais a participação da categoria e o envolvimento da sociedade”, diz. As orientações para as mobilizações serão divulgadas nos próximos dias.

Não tem sentido

A Fenae lançou em outubro a campanha “Não tem sentido”. O objetivo é mobilizar empregados e brasileiros em geral, mostrando que a Caixa precisa continuar 100% pública, forte e social. Pelo www.naotemsentido.com.br é possível enviar vídeos ou escrever depoimentos apoiando a iniciativa. Nesta semana, materiais como cartazes e praguinhas começaram a chegar às unidades do banco de todo o país.

“Temos que nos mobilizar e nos manifestar que não tem sentido reduzir, fatiar e enfraquecer a Caixa. Não tem sentido o banco ser presidido por um defensor das privatizações, cuja missão será entregar áreas importantes para o setor privado. Não tem sentido reduzir o quadro de pessoal, prejudicando o atendimento à população a saúde dos empregados. A Caixa precisa continuar sendo o banco da habitação, do FGTS, do saneamento básico, dos repasses sociais das loterias, dos programas sociais. E vamos lutar por isso”, garante Jair Ferreira.

 

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