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22 Março 2019 - 18:19

Em todo o país, trabalhadores vão às ruas e dizem não à Reforma da Previdência

O dia de luta marcou o início da mobilização contra as mudanças, que acabam com a aposentadoria e prejudicam sobretudo os mais pobres

 

Os trabalhadores mostraram nesta sexta-feira, 22, que não vão permitir os ataques aos direitos dos trabalhadores e que vão lutar para garantir a Previdência Social pública e de todos. Desde as primeiras horas do dia, os trabalhadores e trabalhadoras ocuparam as ruas do país contra a proposta de reforma da Previdência do governo de Jair Bolsonaro (PSL), na primeira convocação feita pelas centrais sindicais e sindicatos e cujo desdobramento pode culminar numa greve geral caso o governo insista em manter a tramitação da proposta que acaba com a aposentadoria por tempo de contribuição, impõe a obrigatoriedade de idade mínima de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres terem direito ao benefício.

“Hoje houve mobilização contra a reforma da Previdência em todas as capitais e em mais de 120 cidades do Brasil e o nosso recado é claro: é muito grave o que está acontecendo. Se essa proposta do Bolsonaro passar teremos que trabalhar até morrer e não podemos permitir”, disse o Secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre.

Em várias cidades e capitais os trabalhadores atrasaram a entrada ao trabalho, motoristas de transportes coletivos pararam por mais de uma hora, saíram em passeata e se manifestaram pela manutenção da Previdência Pública. Nas assembleias feitas nas portas das empresas, sindicalistas explicavam aos trabalhadores a importância de saírem às ruas para os atos programados nesta sexta em todo o estado, de forma a pressionar o governo a recuar da proposta e abrir diálogo com a classe trabalhadora.

Bancários realizaram reuniões e ações lúdicas para alertar os trabalhadores.  Em São Paulo, na zona leste, um caixão e uma pessoa fantasiada pelo personagem do filme “Pânico” mostraram como pode ser o futuro de muitos trabalhadores sem aposentadoria (foto). Na zona norte da capital, o jogo “tiro na lata” fez sucesso entre os presentes, que tentavam acertar os políticos que ameaçam trair os brasileiros. Já no centro de São Paulo, os bancários reproduziram o famoso game do “sim” ou “não” dos programas de auditório.

A mobilização também ocorreu nas redes sociais, o que ajudou a fortalecer ainda mais a luta dos trabalhadores e trabalhadoras nas ruas. Minutos após ser postada, a hashtag #LutePelaSuaAposentadoria, criada pelos organizadores do Dia Nacional em Defesa da Previdência, já estava em primeiro lugar no trending topics do Twitter no Brasil.

O presidente da Fenae, Jair Ferreira, lembra que a proposta defendida pelo governo acaba com a proteção social de milhões de trabalhadores e seu principal objetivo é favorecer o capital financeiro e entregar os recursos da Previdência Pública ao mercado de previdência privada. “Por isso é muito importante que comecemos a nos mobilizar o quanto antes, conversar com nossos colegas, discutir os riscos e alternativas para lutar contra o desmonte que eles pretendem.  Só a luta nos garante”, alerta.

Confira alguns atos e atividades pelo país:

Os metalúrgicos e metalúrgicas da Ford e da Mercedes-Benz realizaram assembleias, às 6h30, e aprovaram a participação na greve geral, que pode ser convocada pela CUT e demais centrais sindicais a qualquer momento para barrar a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 006/2019) da reforma da Previdência do governo. Em seguida, seguiram em passeata pelas ruas de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Panfletagens, assembleias no local de trabalho, diálogo com a população e atos ocorreram em diversas cidades do país, como em Campo Grande (MS), onde 10 mil pessoas protestaram contra a reforma e em defesa do direito à aposentadoria do povo trabalhador.

Os ônibus da capital paulista, de Salvador, de Natal e de Guarulhos não circularam por algumas horas na manhã desta sexta (22) porque os motoristas e cobradores decidiram mostrar que são contra a reforma da Previdência de Bolsonaro.

Já os trabalhadores e trabalhadoras dos ônibus que circulam na Região Metropolitana de Recife pararam as atividades às 15h para se unir as demais categorias profissionais – metalúrgicos, bancários, professores, metroviários, servidores públicos federais, municipais e estaduais, entre outras – no ato em defesa da aposentadoria, na Praça do Derby, no centro da capital pernambucana.

Em Macapá, a luta contra a reforma da Previdência começou logo nas primeiras horas da manhã. Os trabalhadores e trabalhadoras ocuparam as ruas da cidade em defesa da aposentadoria. Em Salvador, na Bahia, além da paralisação dos rodoviários e de outras categorias profissionais, a manifestação convocada pela CUT e demais centrais sindicais reuniu 10 mil trabalhadores e trabalhadoras na Rótula do Abacaxi. De lá, todos seguiram em caminhada pelo centro comercial da cidade.

Em Fortaleza, no Ceará, os trabalhadores e trabalhadoras tomaram as ruas da capital contra a Reforma da Previdência de Bolsonaro. Mais de 30 mil pessoas mandaram o recado ao governo: “Não mexam nas nossas aposentadorias”. Na cidade de Cruz, no interior do Ceará, os trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo do campo, também se mobilizaram em defesa da Previdência.

Uma passeata em Vitória marcou o Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência no Espírito Santo. No Mato Grosso do Sul, mais de 10 mil pessoas de 42 municípios do estado se reuniram em Campo Grande para lutar pelo direito de ter uma aposentadoria digna na velhice. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras tomaram a Praça do Rádio, onde se concentraram para seguir em caminhada pelas ruas da cidade.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, os trabalhadores e trabalhadoras fizeram ato no centro em defesa da aposentadoria. Em Juiz de Fora, o ato foi no centro histórico e reuniu milhares de pessoas na luta contra a reforma da Previdência.

No Paraná, houve mobilização dos trabalhadores em Curitiba, na capital, e em cidades do interior, como Maringá e Cornélio Procópio. Na unidade de Industrialização do Xisto, em São Mateus do Sul, os petroleiros paralisaram as atividades pela manhã contra a reforma da Previdência.

No Rio de Janeiro, trabalhadores da zona industrial de Santa Cruz, na zona oeste da cidade, protestaram contra a reforma da Previdência. Os petroleiros fizeram atos na Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. Teve panfletagem também no Largo do Machado. No Rio Grande do Norte, os trabalhadores e trabalhadoras se mobilizaram em defesa da aposentadoria nos municípios de Caraúbas, Angicos, Equador, Porto do Mangue e Mossoró. No Grande do Sul, metalúrgicos de São Leopoldo fizeram ação logo pela manhã contra a reforma do Bolsonaro. Em Santa Catarina, teve panfletagem, diálogo com a população e ato em frente às agências do INSS de Caçador, Blumenau, Chapecó e Joaçaba.

Para reforçar as ações do Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência, servidores públicos federais no DF, orientados pela entidade representativa, o Sindsep-DF, realizaram assembleia geral para debater estratégias de enfrentamento à reestruturação do sistema previdenciário.

Além do ato dos metalúrgicos do ABC em frente a Ford e a Mercedes, em São Bernardo do Campo, teve mobilização dos trabalhadores da Comgás, na capital paulista, e dos eletricitários de Presidente Prudente. Também houve atos em Limeira, São Carlos e Campinas, no interior paulista. Em São José dos Campos, participaram metalúrgicos da General Motors, Heatcraft, Prolind, Panasonic e Eaton, segundo o sindicato da região, informando ainda que houve assembleias na Latecoere e Armco (Jacareí) e na MWL (Caçapava). Foram registrados também atrasos em fábricas de outros setores, como a Basf (indústria química) e Heinneken (alimentação), ambas em Jacareí.

No Tocantins, o Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência contou com participação das quebradeiras de coco do município de Sítio Novo. Trabalhadores e trabalhadoras também realizaram manifestação em Palmas.

Em Fortaleza, os trabalhadores e trabalhadores se concentraram na Praça da Imprensa, de onde saíram em caminhada que passou pela sede do INSS e terminou na Praça Portugal, no coração do bairro Aldeota. “57 cidades, mais de 30 mil pessoas só na capital, seis centrais sindicais e trabalhadores de vários setores nas ruas para dizer que a reforma proposta pelo eleito é pior do que a de Temer e atinge principalmente as mulheres”, disse o presidente da CUT-CE, Wil Pereira.

As atividades deste Dia Nacional de Luta contra a Reforma da Previdência foram organizadas pelas centrais sindicais, entre elas a CUT, e pelos movimentos que compõem as frentes Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular. Uma greve geral está prevista, caso o presidente Jair Bolsonaro (PSL) insista em seguir com o projeto.

Reaja Agora!

Durante as manifestações a CUT divulgou o site Reaja Agora, que permite ao trabalhador (a) se informar sobre as principais alterações que o governo quer fazer nas regras da aposentadoria e como elas afetarão a vida de cada um. A ferramenta foi lançada pela CUT, no último dia 15 e é um importante instrumento para que os trabalhadores possam entender o quanto perderão caso a proposta seja aprovada.

  

 

 

 

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