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12/02/20 21:38 / Atualizado em 13/02/20 10:45

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Direção da Caixa nega negociação sobre reestruturação

Apesar de negativa, empregados garantem, via liminar da Contraf-CUT, a suspensão do processo por 15 dias. Nesta quinta-feira (13), todos devem vestir preto para o Dia Nacional de Luta em defesa da Caixa

Após mais de 11 horas de reunião da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) com a direção do banco, nesta quarta-feira (12), a Caixa não respondeu às perguntas dos empregados e não aceitou parar a reestruturação, colocando os trabalhadores em risco. Não concordando em negociar, a direção do banco encerrou a reunião.

A CEE/Caixa conseguiu suspender todo o processo de reestruturação, por meio de uma liminar, e por pressão da Comissão, o portal UmasóCaixa foi retirado do ar pelo banco. A plataforma era responsável por receber as manifestações de interesse dos empregados que optaram pela mudança de função e lotação do plano de reestruturação, sendo usada pela Caixa para validar a função dos empregados.

“Recebemos muitas denúncias de problemas no sistema, para manifestações de interesse. O mínimo que a Caixa deveria fazer era suspender o processo para melhorar o sistema. Além disso, o número de perguntas superou 4 mil em poucos dias de consulta. Isso quer dizer que os empregados não tinham entendimento sobre o processo. Então, a suspensão é necessária para que as pessoas tenham mais segurança ao tomarem a decisão” reforçou o coordenador do CEE/Caixa, Dionísio Reis

A proposta da Caixa é revalidar a função dos empregados, colocando sob ameaça os trabalhadores, tanto de descomissionamento sumário quanto de transferência arbitrária. O banco insiste em manter o processo de forma intransigente, mesmo com a plataforma com mau funcionamento e sem tempo hábil para os empregados fazerem as escolhas.

A remodelagem proposta pela Caixa retira do banco seu caráter social, além de ampliar o modelo de mercado da instituição, visando áreas que estão prestes a serem vendidas como a Caixa Seguridade e a Caixa Cartões.

Na reunião, a direção da Caixa apresentou informações superficiais sobre o plano de reestruturação, como os número de funções criadas e as lotações. Insistindo que cerca de 5 mil novas funções serão criadas, além das que já existem, sem mostrar as onde. A direção justificou que a reestruturação cria mais estruturas de atendimento, sendo necessária para garantir a sobrevivência da empresa. A CEE questionou ainda a direção do banco com relação aos estudos de impacto do plano de reestruturação, tanto com relação aos empregados quanto para o Brasil.

A diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fabiana Uehara, destacou que a Caixa não mostra a realidade dos efeitos da reestruturação.  “Sabemos que a reestruturação é um golpe com relação a própria empresa, mudando o carácter social da instituição, focando no mercado e negócios. Então, estamos pedindo transparência nos dados e estudos para que a gente possa fazer uma avaliação e dentro desta perspectiva orientar melhor os empregados”, afirmou.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, desaprovou a atitude da Caixa ao não discutir com as entidades. "É clara a intenção da Caixa em esvaziar o banco. Nós trabalhadores não concordamos com o que está acontecendo. Por isso, convocamos todos para participar do Dia de Luta nesta quinta-feira vestindo preto”, enfatizou.

O vice-presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, ressaltou que a reestrutração vai atingir muitos empregados e forçá-los a mudar de cidade. “Na prática, o que está sendo feito é uma mudança significativa no conjunto das agências. Esse modelo está levando a Caixa a sair do seu papel de banco público, a sair do seu papel de banco que atende a população, e estão levando para uma visão de banco comercial”, afirmou Takemoto.

Dia de luta

Em defesa da Caixa 100% pública, empregados e entidades estarão mobilizados em todo o Brasil na próxima quinta-feira, dia 13 de fevereiro. O Dia Nacional de Luta tem como objetivo reforçar a campanha #ACAIXAÉTODASUA e denunciar os ataques que os trabalhadores estão sofrendo diante da reestruturação prevista pela gestão da instituição. Para reforçar o ato, as entidades orientam os empregados a usarem preto no dia da mobilização e realizarem reuniões com os colegas e conversas com a população para apresentar os riscos que a Caixa corre com as vendas de áreas estratégicas do banco.

 

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