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13 Fevereiro 2019 - 18:18

Diálogos Capitais: desmonte dos bancos públicos vai reduzir desenvolvimento do Brasil

A maior prejudicada com o fatiamento da Caixa será a população que busca financiamento habitacional e depende dos programas sociais administrados pelo banco, como o Bolsa Família.

 O desmonte dos bancos públicos deverá agravar ainda mais a crise econômica que o Brasil atravessa, aumentando o desemprego e reduzindo políticas sociais que contribuíram por anos o desenvolvimento socioeconômico do país. Esta foi a principal avaliação dos participantes no debate Bancos Públicos Sob Ataque: Desafios, Riscos e Perspectivas”, no encontro Diálogos Capitais”, realizado em Curitiba, nessa terça-feira (12). A edição do evento na capital paranaense contou com as avaliações do presidente da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), Jair Pedro Ferreira; do representante da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Mário Bernardini; do professor Luiz Gonzaga Belluzzo, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp; e do jornalista e escritor Fernando Morais. O encontro foi transmitido e os vídeos estão disponíveis nos perfis da Fenae e da revista Carta Capital, no Facebook.

O presidente da Fenae apresentou um cenário da relevância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, em particular para o Paraná. “De R$ 120 bilhões de recursos para crédito que circulam no Estado, em torno de 80% provem de três bancos públicos - a Caixa, Banco do Brasil e Banrisul. Os outros 20% são dos 24 bancos privados que atuam no Paraná”, frisou Jair Ferreira. O dirigente ressaltou que a grande prejudicada com o fatiamento ou desmonte da Caixa é a população que busca financiamento habitacional ou que dependem de outros programas sociais administrados pelo banco, como o Bolsa Família. 

Para o representante da Abimaq, o governo não vai privatizar os bancos públicos, mas vai tirar seu papel social, “fazendo com que eles (os bancos públicos) não façam concorrência com os bancos privados.  Mario Bernardini defendeu a necessidade de debater o modelo de desenvolvimento econômico que se deseja para o país. “Em qualquer modelo de desenvolvimento, a função do setor financeiro é financiar a produção, o investimento e o consumo. No Brasil, os bancos não fazem isso. O sonho do oligopólio bancário brasileiro é eliminar aquilo que chama de concorrência desleal dos bancos púbicos”, disse o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

Dirigentes de movimentos associativo e sindical também acompanharam o debate, entre eles o presidente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, Elias Hennemann Jordão; e o presidente da Apcef/PR, Vilmar José Smidarle, além de empregados e aposentados da Caixa.

A importância dos bancos públicos no impacto da crise econômica internacional de 2008 no Brasil foi ressaltada ainda pelo professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Ele lembrou que os bancos públicos foram acionados para manter as linhas de financiamento e reduzir os choques na economia brasileira. Para o Belluzo, o cenário atual do Brasil é preocupante e se opõe à experiência mundial. “O que dizem os atuais gestores da política econômica não tem nada a ver com o que estamos vivendo hoje no mundo”, enfatizou.

Já o jornalista e escritor Fernando Morais lamentou que o ataque do governo aos bancos públicos não tenha mobilizado ainda toda população. “Me preocupa que tão pouca gente da sociedade saiba da importância Caixa Econômica e do Banco do Brasil, e sobretudo os riscos que estão correndo”, destacou. Para Morais, os debates como o “Diálogos Capitais” são fundamentais contra as ofensivas que visam o fatiamento dos bancos públicos.

A série “Diálogos Capitais” está sendo realizada pela Fenae em parceria com a revista Carta Capital desde 2018.  O evento já passou pelas seguintes cidades: São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Teresina (PI), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Natal (RN) e São Luís (MA).
 

 

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