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22 Março 2019 - 16:54

26/03 Dia de Luta: Empregados da Caixa vestirão preto contra a privatização da Lotex

As loterias da Caixa transferem quase 40% de sua arrecadação para programas sociais nas áreas de educação (Fies), saúde, esporte, cultura, seguridade social e segurança pública

Os empregados da Caixa em todo Brasil estarão mobilizados na próxima terça-feira (26) para protestar contra o fatiamento do banco e a venda da Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex). No dia, serão realizadas reuniões nas agências e atividades para conscientizar a população sobre o prejuízo imenso que privatização trará aos brasileiros. A orientação da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) é que os trabalhadores da empresa postem fotos nas redes sociais com a hashtag #ACaixaédoBrasil.

O leilão da raspadinha, previsto para ocorrer em 26 de março, foi remarcado para 26 de abril. É a quarta vez que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adia o certame. “Não tem sentido privatizar a Lotex. Por isso, a resistência das entidades representativas dos trabalhadores e da sociedade é fundamental para barrar as ameaças contra o patrimônio do povo brasileiro”, afirma o coordenador a CEE/Caixa e diretor da Região Sudeste da Fenae, Dionísio Reis.

Repasses sociais

Em 2017, as loterias da Caixa arrecadaram quase R$ 13,9 bilhões. Desse total, cerca de R$ 5,4 bilhões foram transferidos aos programas sociais do Governo Federal relacionados à seguridade social, à educação (Fundo de Financiamento Estudantil- Fies), ao esporte (Ministério do Esporte, Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paralímpico Brasileiro e clubes de futebol), à cultura (Fundo Nacional da Cultura), à segurança (Fundo Penitenciário Nacional) e à saúde (Fundo Nacional de Saúde), o que corresponde a 37,1% do total arrecadado. Caso a Loteria Instantânea seja privatizada, o repasse social deverá ser reduzido para 16,7%.

No ano passado, o Fies recebeu R$ 730 milhões para financiamento de cursos superiores para estudantes, principalmente de famílias de baixa renda. Já para o Fundo Nacional de Cultura os repasses foram de aproximadamente R$ 387 milhões.

 Resistência

 

As entidades representativas dos empregados da Caixa têm lutado para barrar o leilão da Loteria Instantânea. A Fenae ajuizou, em novembro do ano passado, uma ação popular para barrar o processo que estava previsto para ocorrer no dia 29 daquele mês.

“Não haverá na iniciativa privada o interesse em garantir, por exemplo, que milhões de brasileiros façam uma faculdade com a ajuda do Fies. Esse é o perfil da Caixa Econômica Federal, banco que cumpre um papel social desde a sua criação. Isso não pode ser colocado em risco, até porque é apenas uma das ações do projeto que visa enfraquecer o banco e seus empregados”, destaca o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Será a quinta tentativa do governo federal para conceder a exploração dessa modalidade de loteria à iniciativa privada. Um primeiro leilão chegou a ser agendado para julho, mas não houve propostas de empresas interessadas. A disputa, então, foi postergada para o final de novembro, depois para 22 de fevereiro e 26 de março.

 

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