CAMPANHA SALARIAL

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28/08/20 21:32

Em live na TV 247, presidente da Fenae aborda os desafios da Campanha Nacional Salarial 2020

Neste Dia do Bancário, celebrado em 28 de agosto, o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, participou de uma live na TV 247. O dirigente alertou que a categoria está sendo empurrada para uma greve em resposta à ganância e às ameaças de retirada de direitos de trabalhadores postas à mesa de negociações por banqueiros e direção da Caixa.

O dirigente informou que nesta quinta-feira (27) foram realizadas assembleias no país inteiro e em alguns estados há indicativo de greve, e outros podem aderir à possibilidade de paralisação a qualquer momento. Tudo vai depender do resultado das negociações em curso. "Estamos na expectativa de a Caixa rever a sua posição e que os banqueiros abram mão da sua ganância e concedam o reajuste que atendam às nossas reivindicações, pois os bancos continuam tendo altos lucros mesmo durante a pandemia".

Takemoto destacou que a Caixa teve R$ 5,6 bilhões de lucro neste primeiro semestre de 2020. Mesmo diante de uma redução de 31% nesse resultado comparado ao mesmo período do 2019, é um desempenho excelente diante da atual conjuntura de crise. Os cinco maiores bancos, incluindo a Caixa, informou, tiveram R$ 34 bilhões de lucro neste primeiro semestre de 2020. "Dinheiro é o que não falta. A previsão é que esse lucro aumente ainda mais neste segundo semestre, pois está havendo a retomada de alguns setores da economia", pontuou.

Durante cerca de 30 minutos de conversa com a jornalista Gisele Federicci, Takemoto abordou temas importantes para a categoria. Ele comentou que a Campanha Nacional Salarial dos Bancários 2020 é uma das mais duras e difíceis da história recente e explicou que há uma negociação em conjunto e uma específica com a Caixa.

Na mesa única, com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), a proposta inicial dos banqueiros foi a de não conceder nenhum tipo de reajuste em 2020 e, em 2021, conceder reajuste pelo INPC. Para este ano a Fenaban propôs um abono de R$ 1.652, além de reduzir a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e extinguir o 13 ode cesta alimentação. "Ou seja, no sentido de retirar direitos. Isso a categoria bancária não aceita", alertou.

Nas negociações com a Caixa há dificuldades além da questão econômica e está em debate um tema muito importante que é o plano de saúde. "A Caixa quer mudar as regras do nosso plano de saúde e impor a regra de mercado. Quer fazer uma individualização e cobrar de acordo com a faixa etária. Isso significa um grande reajuste que inviabiliza o acesso ao nosso plano de saúde para grande parte dos empregados e aposentados da Caixa", disse.

Ultratividade

Outro aspecto fundamental apontado pelo presidente da Fenae é o prazo para celebrar o novo Acordo Coletivo de Trabalho. Ele comentou que uma das mudanças promovidas pela mais recente Reforma Trabalhista extinguiu a ultratividade. Tratava-se de uma salvaguarda para a garantia de direitos de trabalhadores que previa a validade do Acordo Coletivo de Trabalho até que um novo fosse celebrado. "Com a reforma trabalhista, isso acabou. O nosso acordo que está em vigor, com cláusulas sociais e sindicais, vence no dia 31 de agosto. Se a gente não renovar o acordo até o dia 31 de agosto, no dia 1 de setembro não tem mais validade", alertou. Nesse cenário, Takemoto prevê uma proposta nesta sexta-feira para que possa ser submetida à análise da categoria em assembleias que decidiram ser será aceita ou se haverá greve.

Privatização da Caixa

Takemoto explicou também sobre os impactos devastadores para a população brasileira, sobretudo a mais carente, com o avanço da agenda privatista do atual governo. Como a edição da Medida Provisória 995/2020, que permite a privatização das subsidiárias da Caixa. De um lado, comentou, a direção da Caixa anuncia a abertura de capital da Caixa Seguridade. De outro, anuncia que o setor, que é responsável por seguros, capitalizações e previdência, teve um lucro de R$ 807 milhões neste primeiro semestre de 2020. Uma alta de 5,2% comparado com o mesmo período de 2019. "O lucro da Caixa teve uma queda, como todos os bancos tiveram, mas a seguridade teve um aumento no lucro", destacou.

O presidente da Fenae admitiu a dificuldade em comunicar à população sobre os mecanismos que estão sendo adotados pelo governo para privatizar a Caixa. A legislação proíbe a venda das empresas estatais sem passar pelo Congresso Nacional. Para driblar essa regra, o governo tem criado subsidiárias, empresas de partes da Caixa, como a Caixa Seguridade, Caixa Cartões, Lotex, para poder vender essas empresas. "Os lucros que essas empresas dão e ficam para a Caixa poder usar em programas sociais vão deixar de ir para o governo e irão para acionistas privados", exemplificou.

Desmonte de programa sociais

Takemoto comentou ainda sobre o programa que substitui o Minha Casa Minha Vida, o Casa Verde e Amarela, que deixou de fora a população mais carente, com renda de até R$ 1.800 mensal por família. Criticou também a nova modalidade de loteria, que ao invés de destinar 40% do lucro para políticas públicas como as outros tipos, destinará apenas 4% desse valor para atender a população brasileira.

Assista à live na íntegra

 

 

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