Fenae contesta manobra contábil de Pedro Guimarães para desvalorizar a Caixa | Portal
27/02/19 18:41

Fenae contesta manobra contábil de Pedro Guimarães para desvalorizar a Caixa

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Por proposição do presidente Pedro Guimarães, a Caixa Econômica Federal prepara uma provisão extraordinária de até R$ 7 bilhões para possíveis perdas com calotes no financiamento imobiliário e com a desvalorização de imóveis que foram retomados pelo banco. A manobra contábil, divulgada nesta quarta-feira (27) pela agência de notícias Reuters, mira no desmonte acelerado da instituição com vistas a torná-la fraca e deficitária, para pavimentar o caminho da privatização.

Caso seja efetivada, a medida deve reduzir o lucro anual da Caixa para menos de R$ 10 bilhões. Até setembro do ano passado, a empresa havia registrado um saldo líquido de R$ 11,5 bilhões, com expectativa de que este valor subisse para R$ 16 bilhões ao final do exercício. Antes mesmo da divulgação das demonstrações contábeis referentes a 2018 – ainda sem previsão –, a ordem de Pedro Guimarães para uma provisão bilionária extra está criando insatisfação dentro do próprio banco e vem sendo interpretada como uma desautorização às normas e práticas históricas adotadas pela Caixa até a virada do ano passado, com aval de auditores independentes, do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU).

A medida também está sendo interpretada como a preparação para a venda ao mercado privado de unidades lucrativas nas áreas de seguro, gestão de ativos, loterias e cartões de crédito. O propósito é privatizar setores estratégicos da instituição, deixando cada vez mais distante a perspectiva de uma empresa pública sintonizada com os desafios sociais do Brasil. Para resistir a essa demolição, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) entende que a alternativa está na defesa da Caixa pública, social e atuante no projeto de crescimento e desenvolvimento do país.

Redução no montante da PLR

Causa preocupação ainda o fato de que o provisionamento extra – com consequência na redução do lucro anual da empresa –, possa significar uma diminuição drástica nos recursos destinados aos empregados da Caixa, a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), conforme prevê o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2018-2020, firmado entre a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e a direção da empresa. A PLR é uma das conquistas históricas das entidades representativas e foi adotada há nove anos, no processo de valorização da categoria, que além do serviço bancário, contribui para viabilidade do papel social do banco.  

“A luta contra essa medida deve ser assumida por toda a sociedade, sobretudo pelos empregados da Caixa. Em defesa do desenvolvimento nacional e do caráter público do banco, a partir do investimento em programas sociais, a Fenae contesta a proposta de enfraquecimento da Caixa e reafirma seu compromisso de alertar a sociedade para se contrapor a essa sangria do patrimônio público”, declara Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae.

Jair Ferreira lembra que a Caixa é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. É o banco que concede crédito em segmentos que não interessam ao mercado privado e viabiliza muitas das políticas públicas. Ele destaca que a instituição, na condição de maior financiador imobiliário do país, com 70% dos contratos, possui uma carteira de crédito habitacional avaliada em R$ 440 bilhões e ostenta patamares de inadimplência menores do que os praticados no mercado financeiro privado. De acordo com dados dos balanços da Caixa, operações imobiliárias classificadas pelo banco como ratings de “D” a “H”, com maior chance de não pagamento pelo tomador, equivaliam em setembro de 2018 a 6,6% da carteira total do setor, numa proporção estável em relação aos anos anteriores.

 

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