Assédio moral na Caixa


O processo de ‘reestruturação’ por que passa a Caixa Econômica Federal desde 1995 vem provocando forte impacto na organização do trabalho, nas políticas de recursos humanos e nas condições de vida e de saúde de seus empregados. Desde então as medidas adotadas pelas diretorias anteriores, a exemplo de Sérgio Cutolo e Emílio Carazzai, reforçaram o autoritarismo e os casos de humilhações nas unidades e nas agências.
Desde 1995, a Caixa imple-mentou três PADV (planos de demissões voluntárias) e empurrou para a rua mais de oito mil empregados. Adotou ainda um normativo interno, denominado RH 008, para instaurar uma verdadeira caça às bruxas com demissões sem justa causa. Divul-gada em fevereiro do ano de 2000, a RH 008 já fez centenas de vítimas em todo o país e, no final de 2001, funcionou como instrumento de pressão para forçar a adesão ao último PADV. E, como parte desse modelo tacanho de gestão, a empresa vem utilizando esse normativo interno como método de coação e perseguição aos empregados. Em decorrência disso, trabalhadores com mais de 20 anos de empresa se tornam alvo de toda sorte de humilhação e, na maioria das vezes, são forçados a se sujeitar a metas inatingíveis, ao exercício de múltiplas funções e à eliminação de direitos.
As transferências compulsórias funcionam também como instrumentos de pressão e perseguição aos empregados. Aqueles considerados ‘indesejados’ e ‘excedentes’ são, muitas vezes, expurgados de suas unidades, tendo que ir para outras cidades e outros estados, longe de onde programaram viver com seus familiares e amigos. O avanço da tercei-rização de serviços e o uso de estagiários em larga escala são exemplos de outros fatores que revelam, cada vez mais, a política de isolamento, de marginalização e de descarte dos profissionais.
Essa postura desrespeitosa para com os empregados vem sendo reproduzida em diversos escritórios de negócios e agências. A luta contra o assédio moral na Caixa foi endossada pela Câmara dos Vereadores de São Luís, que aprovou moção de apoio às iniciativas da Fenae para combater a tirania e as humilhações no ambiente de trabalho.
Aliás, o combate ao assédio moral já está definitivamente incorporado ao debate do movimento dos empregados e se apresenta na Caixa como síntese da luta por respeito e dignidade profissional, aliada à necessidade de resgate do papel social da empresa.

Casos de assédio moral na Caixa
Os casos mais abusivos de assédio moral dentro da Caixa ocorreram no Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rondônia e São Paulo. Eis alguns exemplos:

Espírito Santo: O superintendente de Negócios da Caixa em Vila Velha, Carlos Henrique Amaral Queiroga, é acusado de praticar assédio moral contra os empregados e de conduta administrativa incompatível com os princípios na gestão de instituições públicas.

Maranhão: Elvio de Jesus Ament, superintendente de Negócios da Caixa em São Luis, expediu comunicado aos empregados em 17 de abril, no qual estabelecia o prazo de 26 do mesmo mês para aqueles que estivessem inadimplentes a providenciarem a quitação de seus débitos, sob pena de perda da função ou provimento do cargo comissionado.

Minas Gerais: O boneco de um mico simboliza a humilhação e o terrorismo de que os empregados são vítimas nas unidades. Esse fato foi denunciado pela Fenae e pelo Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte. Há comprovação por fotos das denúncias.

Mato Grosso do Sul: A arrogância e o desrespeito manifestaram-se através do superinitendente Gilmar Falquetto (já transferido). Em comunicado aos empregados da agência Barão, de Campo Grande, ele exerceu assédio moral com frases do tipo: “A equipe é desqualçificada para a magnitude das metas”; “Ninguém tem conhecimento das necessidades e dos resultados”; “Melhor transformar a agência em lotérica”; “Melhor deixar acabar de vez e aí o EN toma as providências”.

Paraná: Um administrador chegou ao cúmulo do absurdo de colocar rodas atrás das cadeiras dos empregados que não atingiram as metas traçadas. O objetivo da medida foi intimidar os empregados, cunhando-lhes a pecha de “roda presa”.

Pernambuco: Um gestor da empresa chegou a distribuir abacaxis e vaias para as equipes que não cumpriram as metas.

Rondônia: O empregado Ademir Machado, em 15 de abril, registrou queixa na Delegacia Regional do Trabalho de Porto Velho contra a gerente de sua unidade, acusada de prática de assédio moral no trabalho.

São Paulo: Há o registro de assédio moral nas agências Parque de Aclimação e Itaquera (capital) e na de Além Ponte, em Sorocaba. Os alvos das denúncias são a imposição de metas e o descumprimento corriqueiro da jornada de trabalho. Há situações em que os empregados são obrigados a adquirir títulos de capitalização, caso não vendam determinada quantidade de produto.

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