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Domingos Simião da Silva já correu mais de cem mil km desde que em 1982, aos 32 anos de idade, inventou de participar de uma corrida livre promovida pela Faculdade de Direito de Minas Gerais, onde estudava. “Achei que fosse morrer”, conta o atleta do departamento jurídico da Caixa em Belo Horizonte.

O susto foi tão grande que o então escriturário decidiu treinar bastante para melhorar a perfor-mance, e no ano seguinte conseguiu classificar-se em terceiro lugar. Ficou animado, se inscreveu para a São Silvestre e nunca mais parou de correr. Hoje, aos 51 anos de idade, 59 quilos de músculos distribuídos em seus 1.72 de altura, Domingos se orgulha de nunca ter tirado uma licença médica.

“Correr é o esporte mais barato que existe e devia ser estimulado por todas as empresas e escolas. Basta um tênis e a rua, e o ganho em saúde e qualidade de vida não tem preço”, diz o atleta. Ele faz parte de um grupo de oito corredores que a Apcef-MG treina, e corre 120 km por semana, de terça a domingo. “Nos dias de semana a gente dá a volta na lagoa da Pampulha, e aos domingos vamos a Sabará, uma cidade histórica que fica a 17km daqui. Ida e volta a gente faz 34 km. Fazendo as contas, em um ano eu corro 6.240 km, sem contar as provas”.

A família não gostou muito desta correria do pai e marido. “Acho que por causa das minhas ausências para treinar, lá em casa todo mundo odeia esporte. Mas eu vou morrer correndo. Parafraseando um corredor americano, se eu pudesse eu ia correndo para o meu enterro”, diz o atleta. Domingos Simião já participou de centenas de maratonas, e se orgulha de ter completado 19. E explica: uma maratona tem exatos 42 km e 195 metros, é uma prova muito difícil, porque comprovadamente o homem só agüenta correr bem até os 34 km. Daí para a frente começa a faltar oxigênio, dá câimbra nas pernas e nos pés, e só com muito esforço o trajeto é completado. “Então, para o maratonista, a glória não é chegar em primeiro lugar, mas completar todo o percurso”, esclarece.

Outra meta do maratonista é baixar o tempo da corrida. Um maratonista de elite A faz o percurso em duas horas e meia, e o de elite B faz em até três horas. “Abaixo disso está o resto, aquele mundo de gente que gosta de correr e está ali para tentar fazer o percurso independentemente do tempo”, informa. Pois foi em 87, numa maratonona em Niterói, que Domingos Simião subiu para elite B, fazendo o percurso que incluiu a travessia da ponte em duas horas e 57 minutos.

Domingos Simião é funcionário da Caixa há 22 anos e maratonista da Apcef-MG


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